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Peter Thiel, bilionário pró-Trump, aparece mais de 2 mil vezes nos Arquivos Epstein

Empresário agendava reuniões com o falecido magnata, morto em 2019 após ser preso e condenado por tráfico e exploração sexual de menores

O empresário Peter Thiel, figura proeminente da extrema-direita nos Estados Unidos e co-fundador do PayPal e Palantir, é um dos vários nomes presentes na mais recente leva de documentos do caso Jeffrey Epstein, falecido financista e dono de uma enorme rede de exploração e tráfico sexual de menores de idade. Thiel aparece nos documentos – disponíveis publicamente no portal do Departamento de Justiça dos EUA – ao menos 2,2 mil vezes.

Conforme apuração do WIRED, o empresário aparece em correspondências com Epstein diversas vezes, entre 2014 e 2019, buscando agendar encontros, reuniões e refeições.

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Em fevereiro de 2016, um e-mail da então chefe de gabinete de Thiel, Alisa Bekins, aparece contendo o assunto “Encontro – 4/Fev – 9:30 AM – Restrições alimentares de Peter Thiel – CONFIDENCIAL”. O destinatário do e-mail foi retido (isto é, censurado pelo Depto. de Justiça por razões de segurança), mas a mensagem foi encaminhada a Epstein em seguida. O conteúdo do e-mail também foi retido.

Em uma gravação em áudio, sem data, de uma conversa entre Jeffrey Epstein e o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, o financista afirma que esperava poder se encontrar com Thiel na semana seguinte.

“Eu nunca encontrei o Peter Thiel, e todo mundo diz que ele meio que pula por aí e age meio estranho, como se tivesse usado drogas”, diz Epstein na gravação. Barak concorda com o financista.

Entre 2015 e 2016, Epstein investiu cerca de 40 milhões de dólares em duas empreitadas da Valar Ventures, uma das companhias de Thiel. A última comunicação entre Epstein e Thiel ocorreu em janeiro de 2019; mais tarde, no mesmo ano, Epstein foi preso e morreu em sua cela.

O bilionário Peter Thiel é um dos grandes nomes da direita estadunidense, sendo conhecido por investir milhões de dólares nas campanhas de Donald Trump, J.D. Vance, e Blake Masters. Politicamente, Thiel é tido como libertário focado em tecnologia e anti-establishment, apesar de priorizar investimentos em correntes populistas como o MAGA (Make America Great Again, de Donald Trump).

O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa

Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.

Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.

Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.

Leia mais: Polícia francesa faz buscas na sede da X e convoca Elon Musk para depor

A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.

A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.

Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump

Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.

Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.

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