Na noite passada, integrantes do governo brasileiro — representados pelo Itamaraty, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Palácio do Planalto — reuniram-se mais uma vez com o Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão que atua como o negociador-chefe de Washington para a área comercial. Este foi o quinto encontro bilateral e, a exemplo dos anteriores, terminou sem um entendimento que evite a aplicação de barreiras alfandegárias contra o Brasil.
Durante as discussões, a diplomacia brasileira reiterou que a imposição de sobretaxas é injusta e carece de embasamento técnico. O argumento central de Brasília baseia-se no fato de que a balança comercial bilateral apresenta um superávit favorável aos próprios Estados Unidos, o que desidrata qualquer justificativa econômica para a adoção de medidas protecionistas por parte da Casa Branca.
A expectativa é de que o governo norte-americano faça um anúncio oficial ainda hoje. O mercado e a administração brasileira aguardam para saber se haverá a aplicação integral da tarifa de 25%, uma flexibilização nos percentuais ou apenas a redução no rol de produtos atingidos. No Palácio do Planalto, a avaliação interna é de que a imposição das taxas é o cenário mais provável.
O desfecho prático, contudo, dependerá do formato do anúncio. Donald Trump costuma adotar uma tática de negociação agressiva, que consiste em aplicar tarifas elevadas de forma imediata ao mesmo tempo em que convida o país afetado a manter os canais de diálogo abertos. Essa postura deixa em aberto se ainda haverá espaço para barganhas após a oficialização das medidas.
Um ponto que gera profunda frustração em diplomatas e empresários brasileiros é a falta de clareza por parte de Washington. Durante todas as cinco rodadas de negociação, a equipe norte-americana não formalizou uma lista de demandas ou de contrapartidas específicas que o Brasil deveria adotar para suspender as sanções, inviabilizando a construção de uma base objetiva de negociação.
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Esta quarta-feira configura-se como o “dia D” para o comércio exterior brasileiro. Sob a égide de uma gestão norte-americana caracterizada pela volatilidade de decisões e com a Casa Branca simultaneamente envolvida em uma escalada de tensões militares com o Irã, o cenário bilateral permanece sujeito a desfechos inesperados.