O clima na Baixada Santista é de tensão extrema. Às vésperas do clássico contra o São Paulo, o Santos enfrenta uma crise que transcende as quatro linhas. Protestos e faixas com mensagens hostis na Vila Belmiro e no CT Rei Pelé dão o tom da insatisfação da torcida com a diretoria e o departamento de futebol.
Durante o programa Papo de Craque, foi revelado que faixas foram estendidas em locais estratégicos do clube, atacando diretamente o presidente Marcelo Teixeira e o executivo de futebol Alexandre Mattos. O ambiente hostil gerou preocupação quanto à segurança, com comunicados extraoficiais recomendando que mulheres e crianças evitem comparecer ao estádio no dia do jogo.
O policiamento para a partida, marcada para esta quarta-feira às 20h, foi triplicado diante do risco de tumultos, evidenciando a gravidade da situação.
Neymar fora do clássico
Para agravar o cenário, Neymar, deve desfalcar a equipe. Segundo informações de bastidores trazidas pelo repórter Fabiano Farah, a comissão técnica, liderada por Juan Pablo Vojvoda, optou por preservar o craque. A estratégia visa prepará-lo fisicamente para o confronto contra o Noroeste, em Bauru, considerado crucial na luta contra o rebaixamento no Campeonato Paulista.
A decisão gerou debate na bancada. Enquanto alguns defendem a cautela devido ao histórico de lesões e ao pouco tempo de treino com bola (desde a última sexta-feira), outros criticam a ausência do jogador em um momento tão decisivo, questionando se o foco do atleta estaria mais voltado para a seleção brasileira e a Copa do Mundo do que para o clube que o repatriou.
Desempenho questionável
A análise dos comentaristas aponta para problemas estruturais no time. A equipe é descrita como desorganizada, com dificuldades tanto na criação ofensiva quanto na marcação defensiva. O técnico Vojvoda, que chegou com grande expectativa, começa a ter seu trabalho questionado diante dos resultados ruins e da falta de evolução em campo.
Caso Bilal Ibrahim
Outro ponto de atrito mencionado foi a contratação do jogador Bilal Ibrahim, que já deixou o clube rumo ao futebol português. A diretoria justificou a contratação como uma “oportunidade de mercado” aprovada pela comissão técnica anterior, mas a rápida saída e o fato de o Santos ainda arcar com grande parte dos salários geram críticas sobre a gestão financeira e o planejamento do elenco.
Leia mais: Crise no Santos: com dívida de R$ 1 bi, elenco estrelado não evita risco no Paulista
Provável escalação
Sem Neymar e com a pressão nas alturas, o Santos deve ir a campo com Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonys Frías, Zé Ivaldo e Vinícius Lira; João Schmidt, Gabriel Menino e Zé Rafael; Barreal, Rony e Gabigol.
O clássico contra o São Paulo promete ser um divisor de águas para o Santos, que precisa urgentemente de uma resposta positiva para acalmar os ânimos de sua torcida e afastar o fantasma da crise.
