PF investiga grupo Fictor por suspeita de crimes contra o sistema financeiro

Apuração ocorre após pedido de recuperação judicial e negociação frustrada com o Banco Master

Por Redação TMC | Atualizado em
Sede da Policia Federal
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) abriu nesta quarta-feira (04/02) um inquérito para investigar o grupo Fictor, que nesta semana entrou com pedido de recuperação judicial e que, em novembro de 2025, apresentou uma proposta para adquirir o Banco Master. A apuração envolve suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Segundo a PF, o inquérito investiga indícios dos crimes de gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro, equiparados a valores mobiliários, e operação de instituição financeira sem autorização. O grupo já vinha sendo monitorado em investigações preliminares, que levaram à abertura formal do inquérito diante do surgimento de novos indícios.

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No último domingo (01/02), o grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. A empresa afirmou que a medida tem como objetivo “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, estimados em cerca de R$ 4 bilhões. A companhia atribui sua crise de liquidez ao impacto do episódio envolvendo o Banco Master.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central após uma operação da Polícia Federal, em 18 de novembro de 2025, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição. O banco é suspeito de irregularidades na venda de crédito consignado a milhares de aposentados e pensionistas, além de problemas relacionados à falta de garantias dos produtos financeiros oferecidos ao mercado.

Vorcaro afirmou às autoridades que negociava a venda do banco ao grupo Fictor, em parceria com investidores árabes, e alegou que a liquidação foi precipitada. O Banco Central, no entanto, classificou o anúncio da negociação como uma “cortina de fumaça”, apontando que o grupo Fictor não teria condições financeiras para concluir a compra e que os supostos investidores nunca foram identificados.

De acordo com relatos, na noite anterior à liquidação, representantes do Banco Master procuraram a diretoria de fiscalização do BC para tratar da negociação, mas a operação da PF já estava em andamento e a liquidação da instituição foi confirmada no dia seguinte.

Leia mais: Senado instala comissão para apurar fraudes do Banco Master

O grupo Fictor afirmou que a liquidação do Banco Master, anunciada um dia após a divulgação da negociação, afetou diretamente sua reputação no mercado e provocou uma onda de notícias negativas, comprometendo a liquidez de suas empresas. Ainda não houve manifestação sobre o inquérito. O espaço da TMC está aberto.

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