Trump posta vídeo racista com Obama e Michelle retratados como macacos

Além do teor racista, material compartilhado por Trump na Truth Social propaga teorias conspiratórias sobre eleições de 2020

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: reprodução/Truth Social)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou um vídeo racista em que ex-presidente Barack Obama e a esposa Michelle aparecem com os rostos sobrepostos em corpos de macacos. A publicação ocorreu na madrugada desta sexta-feira (06/02), pelo horário de Brasília. O conteúdo apresenta a música “The Lion Sleeps Tonight” como trilha sonora.

O vídeo propaga teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020, com alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria ajudado a fraudar o pleito em que Trump foi derrotado por Joe Biden. A montagem recebeu milhares de “likes” logo após ser compartilhada.

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A caracterização do casal Obama como primatas aparece por aproximadamente um segundo, no final do vídeo. O material foi publicado como suposta “denúncia” sobre fraude eleitoral, embora o casal não tenha qualquer relação com as alegações apresentadas.

Barack Obama, único presidente negro na história dos Estados Unidos, apoiou Kamala Harris, adversária de Trump na disputa eleitoral de 2024.

Reação de aliados de Obama

O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, potencial candidato democrata à presidência em 2028 e crítico frequente de Trump, manifestou-se contra a publicação.

“Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, publicou a conta do gabinete de imprensa de Newsom na rede social X.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também expressou repúdio.

“Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, escreveu no X.

Programas de inclusão ameaçados

Desde seu retorno ao poder, Trump é criticado pelos opositores por liderar uma campanha contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Os programas federais americanos de combate à discriminação nasceram da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, um movimento a favor de igualdade e justiça após centenas de anos de escravidão, cuja abolição em 1865 deu lugar à imposição de outras formas institucionais de racismo.

Ao eliminar o que Trump denominou iniciativas “woke”, o atual governo também determinou a retirada de dezenas de livros das bibliotecas das academias militares que abordam a história da discriminação nos Estados Unidos.

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