Lula declara ‘guerra da narrativa’ contra Trump após tarifa de 25%

Presidente afirmou que já falou três vezes com Trump e que o Brasil não quer guerra, mas vai disputar a verdade sobre as tarifas americanas

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(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Lula afirmou nesta sexta-feira (17/07) que pretende disputar uma guerra de narrativa com o presidente americano Donald Trump depois que os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração ocorreu durante visita do presidente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), no Rio de Janeiro.

O presidente afirmou que já comunicou a Trump, em três ocasiões, que o Brasil não tem interesse em conflito. Mas deixou claro que há um outro tipo de embate em curso. Nas palavras de Lula: “Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra.”

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Lula também afirmou que não vai permitir que a população seja enganada pelos Estados Unidos. “Nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse o presidente.

A declaração acontece horas depois de Lula dizer que não comentaria sobre o tema até que Trump se pronunciasse.

A tarifa e o que ela afeta

A alíquota de 25% incidente sobre produtos brasileiros foi confirmada na última quarta-feira (15/07) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com entrada em vigor prevista para 22/07.

Segundo o USTR, três itens estão isentos da medida: petróleo, café e carne bovina. Para os demais produtos, as consequências podem ser expressivas. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos EUA serão afetadas pelo tarifaço.

Na prática, isso significa que produtos como soja processada, suco de laranja, açúcar e outros itens do campo podem enfrentar barreiras maiores para entrar no mercado americano, o que tende a pressionar preços e reduzir receita para produtores brasileiros.

A decisão não foi tomada de forma imediata. O USTR conduziu uma investigação comercial durante um ano, amparado pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que autoriza os EUA a apurar práticas comerciais de outros países consideradas desleais.

O governo Trump indicou que a medida tem caráter político. O governo brasileiro, por sua vez, informou que realizou 30 contatos com autoridades americanas na tentativa de negociar as tarifas antes de sua aplicação.

Leia mais: Auxiliar de Trump agradece tarifaço por “proteger os fazendeiros americanos”

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