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Agostina Paez: advogada argentina é influencer e filha de empresário que já foi preso

Investigada por racismo no Brasil, turista argentina foi filmada enquanto imitava macaco em discussão com funcionários de bar no Rio de Janeiro

A decisão da Justiça do Rio de Janeiro a favor da prisão preventiva da advogada argentina Agostina Paez, investigada por injúria racial contra funcionários de um bar no Rio de Janeiro, voltou os holofotes sobre o caso. Com 29 anos, a jovem é conhecida pelo trabalho como influencer e por ser filha de um empresário do setor de transportes.

Antes do crime, o Instagram de Agostina tinha 40 mil seguidores, mas foi desativado após a repercussão do caso. O TikTok dela segue ativo, com mais de 90 mil seguidores. As postagens focam em conteúdos sobre viagens, moda e gastronomia.

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O pai empresário de Agostina é Mariano Paez. Inclusive, ele já esteve detido por pouco mais de um mês, no final de 2025, acusado de violência de gênero contra a ex-companheira, a advogada Estefanía Budan, conforme informações do site argentino Info del Estero.

Mariano foi liberado com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Sobre esse caso, a própria Agostina moveu ação judicial contra Budan, acusando-a de assédio, difamação e violência digital.

Em entrevistas à imprensa de seu país, Agostina afirmou não ter presenciado os episódios atribuídos ao pai. Ela explicou que a iniciativa judicial buscava proteger a si e a irmã de exposições nas redes sociais, além de declarar que o pai deve responder pelos atos que cometeu.

A prisão preventiva

A turista permanece no Brasil, sem previsão de quando poderá retornar à Argentina. Como entrou no Brasil apenas com documento de identidade, a Justiça solicitou a apreensão deste e instalação de tornozeleira eletrônica para que ela não fuja.

Sobre a prisão, a Justiça do Rio acatou o pedido do Ministério Público pelas ofensas racistas proferidas no dia 14 de janeiro contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio.

O que diz a denúncia

Segundo a ação penal, Agostina “estava com duas amigas em um bar na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, quando discordou dos valores da conta e chamou um funcionário do estabelecimento de negro, de forma ofensiva, com o propósito de discriminá-lo e inferiorizá-lo, em razão de sua raça e cor”.

Mesmo após ser advertida pela vítima de que a conduta configurava crime no Brasil, a denunciada dirigiu-se à caixa do bar e a chamou de “mono” (macaco, em espanhol), além de fazer gestos do animal.

A denúncia ainda destaca que Agostina voltou a praticar novas ofensas racistas após sair do bar. Na calçada em frente ao estabelecimento, proferiu outras expressões, emitindo ruídos e fazendo novamente gestos que imitavam macaco contra três funcionários do bar.

No documento, a promotoria destacou que os relatos das vítimas foram corroborados por declarações de testemunhas, imagens do circuito interno de monitoramento do bar e outros registros produzidos no momento dos fatos.

Alegação da ré rejeitada

Também foi rejeitada “a versão apresentada pela denunciada de que os gestos teriam sido meras brincadeiras dirigidas às amigas, especialmente diante do fato de que uma das turistas tentou impedir Agostina de continuar com as ofensas, o que evidencia a consciência da acompanhante quanto à reprovabilidade da conduta”.

No Brasil, injúria racial foi equiparada ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, com pena de dois a cinco anos, além de ser inafiançável e imprescritível. Na prática, a medida endureceu a punição por ofensas relativas à cor da pele.

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