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Lula e Alckmin: o que está em jogo com o possível fim da dupla de 2022?

A aliança formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) em 2022, que simbolizou a chamada “frente ampla” contra o bolsonarismo, passou a ser alvo de debates internos com a aproximação das eleições de 2026. Embora a parceria tenha sido decisiva para a vitória presidencial, setores do PT e aliados discutem se a dobradinha será mantida na tentativa de reeleição.

Alckmin foi escolhido em 2022 como um sinal de moderação ao eleitorado de centro e ao mercado financeiro. Como vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, consolidou-se como interlocutor com o setor produtivo. Nos bastidores, porém, integrantes do governo avaliam se esse papel já cumpriu sua função ou se a chapa precisará de outro perfil capaz de ampliar o diálogo com segmentos nos quais o PT ainda enfrenta resistência, como o agronegócio e o eleitorado evangélico.

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Outro ponto central do debate envolve o cenário paulista. Uma das hipóteses ventiladas é a saída de Alckmin da chapa presidencial para disputar novamente o governo de São Paulo, cargo que ocupou por quatro mandatos. Essa movimentação poderia fortalecer o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país, hoje governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de liberar a vaga de vice para atrair partidos como MDB ou PSD.

O próprio Alckmin, no entanto, tem indicado a aliados que não deseja disputar um cargo eletivo em São Paulo caso seja descartado da vice. Em entrevista à Jovem Pan, o vice evitou antecipar seus planos eleitorais. “Vamos esperar um pouquinho”, afirmou. Aliados do experiente político do PSB acreditam que seria mais fácil convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o Palácio dos Bandeirantes do que persuadir Alckmin a deixar a chapa presidencial.

Para José Dirceu, ministro no primeiro mandato de Lula, a manutenção de Alckmin como vice é estratégica e fez parte de um pacto firmado com a sociedade para derrotar Jair Bolsonaro em 2022 — avaliação que o notório quadro do PT reiterou durante evento de aniversário do partido, em Salvador.

Apesar das especulações, aliados ressaltam que Alckmin mantém uma relação direta e leal com Lula desde a campanha de 2022 e que não tomará decisões sem ouvir o presidente. A permanência do vice voltou a ser questionada após Lula admitir publicamente, pela primeira vez, a possibilidade de excluí-lo da chapa, em meio às articulações do PT para atrair o MDB para uma aliança nacional.

Em entrevista ao UOL, Lula afirmou que Alckmin e Haddad têm “um papel a cumprir nas eleições em São Paulo”. Para dirigentes petistas, contudo, Haddad segue como o principal plano do partido no estado, enquanto a citação de Alckmin teria servido para diluir a pressão concentrada sobre o ministro da Fazenda.

Leia mais: Com Alckmin cotado para São Paulo, Lula avalia vice de centro para 2026

Dirceu também defende que Fernando Haddad seja candidato ao governo ou ao Senado por São Paulo em 2026, especialmente se Alckmin permanecer como vice. Apesar disso, o ex-prefeito de São Paulo tem reiterado publicamente que prefere não disputar eleições neste momento e concentrar-se na coordenação da campanha de Lula à reeleição.

Nos bastidores do Planalto, parte dos aliados avalia que Alckmin tende a permanecer na vice e que uma eventual mudança só ocorreria em caso de alteração significativa do cenário político, como a entrada formal de MDB ou PSD na chapa presidencial. Enquanto isso, o debate segue aberto, com impacto potencial tanto na estratégia eleitoral quanto na sinalização de estabilidade política e econômica do governo.

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