O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar nesta segunda-feira (20/07) que, “antigamente”, quem “traía a pátria era enforcado”. A declaração foi feita durante a convenção nacional do PDT, que oficializou apoio à candidatura do petista à reeleição.
Ao comentar a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, Lula afirmou que há “vários traidores” no país e voltou a criticar brasileiros que, segundo ele, buscaram apoio do governo norte-americano para impor sanções ao Brasil.
“Outro dia eu disse que, nesse país, antigamente, traidor era enforcado. Porque trair a pátria é uma coisa muito grave. E hoje nós temos não um, nós temos vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil.”
A fala faz referência ao embate diplomático iniciado após o governo do presidente norte-americano Donald Trump anunciar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, medida anunciada em 22 de julho. O governo brasileiro atribui a crise à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto à administração americana.
A sanção foi baseada na “Seção 301” da lei comercial americana, sob o argumento de que o Brasil pratica políticas injustas que prejudicam corporações dos EUA. Os principais alvos de críticas oficiais de Washington foram:
- O Pix: o sistema brasileiro de transferências eletrônicas foi citado dezenas de vezes no relatório da Casa Branca como uma ameaça que prejudica a atuação de empresas de pagamentos dos EUA.
- Decisões judiciais contra “Big Techs”: a Casa Branca acusou a Justiça brasileira (em especial o STF) de “censura” devido às ordens judiciais emitidas contra plataformas como X, Meta e Google para remover conteúdos e perfis associados a grupos políticos de direita.
- Falta de reciprocidade: O USTR pontuou supostas práticas desleais e barreiras impostas à importação do etanol norte-americano no mercado brasileiro, além de lentidão burocrática do Inpi para análise de patentes.
Desde o anúncio das tarifas, Lula tem responsabilizado especialmente Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, acusando os dois de atuarem contra os interesses nacionais ao defenderem sanções dos Estados Unidos ao Brasil. Os parlamentares negam ter trabalhado para prejudicar o país.
Fala semelhante em junho
Esta não é a primeira vez que Lula utiliza esse discurso. Em 2 de junho, durante evento em Catalão (GO), o presidente afirmou que os filhos de Jair Bolsonaro seriam “vendilhões da pátria” e declarou:
“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país?”
A declaração gerou repercussão por conter um erro histórico. Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira, não foi executado. Após denunciar o movimento, recebeu benefícios da Coroa Portuguesa. Quem foi condenado à forca e executado foi Tiradentes, líder da conspiração.
Na ocasião, a equipe do senador Flávio Bolsonaro informou que acionaria o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a fala do presidente configurava ameaça e incitação ao crime.
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