A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realizará encontros com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nesta quarta-feira (11/02) para solicitar acesso a documentos relacionados às fraudes no Banco Master. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025 após a descoberta de operações irregulares.
A subcomissão criada especificamente para investigar o caso é presidida pelo senador Renan Calheiros. Segundo comunicado oficial da CAE, Renan se reunirá primeiro com Andrei Rodrigues na quarta às 17h na sede da PF “para solicitar a colaboração e informações sobre a fraude do Banco Master”. Posteriormente, às 18h30, o grupo parlamentar terá um encontro institucional com Fachin.
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Na semana passada, integrantes da comissão estiveram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo. Durante esses encontros, Renan solicitou toda a documentação relacionada ao caso Master, incluindo materiais protegidos por sigilo.
Após a reunião com Galípolo, o presidente da CAE mencionou a possibilidade de pedir ao plenário do Senado a votação da quebra de sigilo dos dados protegidos. Participantes informaram que o presidente do BC explicou que o compartilhamento dos documentos depende de decisão do ministro Dias Toffoli, que impôs forte sigilo ao processo.
A CAE estabeleceu um cronograma que inclui audiências públicas temáticas, iniciando pela análise da liquidação extrajudicial do banco e a atuação do BC e da Comissão de Valores Mobiliários. O plano também prevê sessões específicas para discutir possíveis falhas nos mecanismos de supervisão e identificar gargalos regulatórios no sistema financeiro.
Renan Calheiros pretende ainda enviar perguntas por escrito ao presidente Lula sobre a reunião fora da agenda oficial com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Antes do encontro com Galípolo, Renan afirmou que o presidente do BC “precisa ajudar” a comissão a destrinchar o esquema fraudulento. O senador fez referência a um precedente histórico: “Um presidente do Banco Central já saiu do Congresso Nacional preso, o Chico Lopes. É evidente que nós não queremos que isso volte a acontecer, mas o presidente Galípolo, com quem temos o melhor relacionamento, precisa ajudar a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a destrinchar o que houve.”
“Este ano é um ano eleitoral, nós não vamos ter muito tempo. É evidente que nós só vamos aprofundar a fiscalização e a investigação se nós tivermos as informações”, declarou.
Ao final dos trabalhos, a comissão deverá produzir um relatório com conclusões e recomendações que poderão originar propostas legislativas para fortalecer as regras de fiscalização e diminuir o risco de novos colapsos no sistema financeiro.
Uma das propostas em análise é a ampliação do escopo regulatório do Banco Central para incluir a supervisão de fundos, mecanismo que, conforme a investigação, o Master supostamente utilizava para encobrir operações fraudulentas.
Permanece indefinido se o STF autorizará o acesso aos documentos sigilosos e qual será a posição da PF sobre o compartilhamento de informações da investigação com o Senado.
