Em entrevista ao Link TMC, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, detalhou os resultados de uma recente pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento, que ouviu mais de 2 mil brasileiros, aponta uma recuperação significativa da confiança da população no Estado e nas políticas públicas quando comparado ao cenário de 2022.
Segundo os dados apresentados pelo ministro, a confiança no Governo Federal saltou de 26% para 38%. A percepção positiva também se refletiu em serviços essenciais: a satisfação com o sistema de saúde subiu de 32% para 40%, enquanto a educação teve um aumento expressivo, passando de 29% para 55% de aprovação. A pesquisa indicou ainda avanços na percepção de integridade, com 48% dos entrevistados acreditando que seus pedidos de benefícios sociais seriam tratados com justiça (contra 19% em 2022) e 40% confiando que servidores públicos recusariam subornos (o dobro do índice anterior).
O paradoxo da percepção da corrupção
Durante a entrevista, o ministro foi questionado sobre a aparente contradição entre esses dados positivos e outras pesquisas de opinião que sugerem um aumento na percepção de corrupção. Carvalho argumentou que metodologias baseadas apenas na percepção podem ser influenciadas pela visibilidade dos casos.
Para o chefe da CGU, um governo que investiga e pune a corrupção acaba expondo problemas que antes estavam ocultos (“embaixo do tapete”). Essa transparência pode gerar uma falsa sensação momentânea de piora, mas, na visão do ministro, demonstra que o aparato de fiscalização e o império da lei foram restabelecidos.
Investimento e retorno social
Carvalho relacionou diretamente o combate à corrupção com a eficiência do gasto público. Ele citou como exemplo a desestruturação do Cadastro Único na gestão anterior, que teria gerado um prejuízo de R$ 20 bilhões — valor suficiente, segundo ele, para construir milhares de escolas e creches.
Em contrapartida, o ministro destacou o aumento nos investimentos atuais como fator decisivo para a melhora nos índices da OCDE. Ele apontou que os recursos destinados à educação básica dobraram para R$ 9 bilhões, enquanto o investimento em obras na saúde é 14 vezes superior ao do governo passado. Para Carvalho, a população reage positivamente a esses dados concretos, reconhecendo que o dinheiro público está sendo alocado de forma mais efetiva.
