Galípolo diz que política de juros no Banco Central vive fase de “calibragem”

Presidente do BC indica mudança de postura após período de juros elevados e sinaliza possível redução da taxa básica a partir de março

Por Redação TMC | Atualizado em
Gabriel Galípolo
Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

O Banco Central do Brasil iniciou uma fase de “calibragem” na condução da política monetária, reconhecendo melhorias no cenário inflacionário em meio à desaceleração econômica.

A declaração foi feita pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, nesta segunda-feira (9/02), durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) em São Paulo.

A mudança de postura ocorre após um período em que a taxa Selic foi mantida em níveis elevados para controlar a inflação. Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, patamar que não era visto desde 2006.

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“Eu acho que agora a gente chega num momento onde a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra calibragem. Acho que essa é a palavra essencial: calibragem“, afirmou Galípolo durante o evento.

O Banco Central sinalizou nas últimas semanas, por meio da Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a intenção de iniciar um ciclo de cortes na taxa básica a partir de março. Esta mudança representa um ajuste na estratégia após verificar os impactos da Selic elevada na economia brasileira.

Apesar dos sinais positivos, Galípolo destacou que ainda é necessário manter cautela.

“A gente entende que não fazer um reconhecimento de que a gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento, onde a gente conclui a alta [dos juros], faria pouco sentido. Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica e por isso que a gente está falando de um ajuste”, explicou o presidente do BC.

Expectativas do mercado

As projeções captadas pelo Boletim Focus indicam que a taxa Selic deve cair para 12,25% até o final de 2026, expectativa que se mantém inalterada pela sétima semana consecutiva. Para 2027, a mediana das estimativas aponta para uma taxa de 10,50% ao ano.

Em relação à inflação, as expectativas para 2026 recuaram pela quinta semana seguida. A mediana das projeções caiu para 3,97%, contra 3,99% no levantamento anterior. O mercado financeiro aguarda a divulgação do primeiro indicador de inflação oficial de 2026, com o IBGE programado para divulgar amanhã o IPCA de janeiro.

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Preocupação com expectativas de longo prazo

O presidente do Banco Central expressou preocupação com as expectativas inflacionárias de longo prazo, que permanecem acima da meta. As projeções para o IPCA em 2028 e 2029 estão em 3,5%, enquanto o centro da meta é de 3% ao ano. O indicador encerrou 2025 em 4,26%.

“Incomoda bastante a gente essa desencoragem, daquele meio ponto percentual que não se move há bastante tempo nos horizontes mais longos. Então, eu acho que existe um debate de fundo sobre a questão dessa desencoragem, que é bastante importante a gente fazer”, disse Galípolo.

O evento na capital paulista reuniu representantes do setor financeiro para discutir as perspectivas econômicas do país em um momento de transição na política monetária brasileira.

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