Emmanuel Macron, presidente da França, defendeu a implementação de um mecanismo de empréstimo conjunto para a União Europeia, possivelmente por meio de eurobônus. As declarações foram feitas em entrevistas a jornais franceses, publicadas nesta terça-feira (10/02).
Durante as conversas com veículos de comunicação, incluindo o Le Monde, o líder francês argumentou que a Europa precisa realizar investimentos em larga escala para enfrentar a hegemonia do dólar americano e fortalecer a proteção de suas indústrias.
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“A UE está pouco endividada em comparação com os Estados Unidos e a China. Num momento de corrida por investimentos tecnológicos, não aproveitar essa capacidade de endividamento é um erro grave”, afirmou Macron.
As manifestações do presidente francês ocorrem a dois dias da reunião de chefes de Estado e de governo europeus, marcada para quinta-feira (12/02) em Bruxelas, que terá como foco a competitividade do bloco.
Preocupações com a soberania europeia
Macron expressou inquietação quanto ao desenvolvimento da autonomia europeia, declarando que “os planos para tornar a Europa mais soberana não estão progredindo rápido o suficiente”. O presidente defendeu medidas para simplificar e aprofundar o mercado interno do bloco.
Ao abordar as relações com os Estados Unidos, o líder francês alertou que a Europa não deve interpretar uma trégua temporária como mudança permanente nas relações bilaterais, mesmo após a aparente resolução de disputas envolvendo a Groenlândia, comércio e tecnologia.
“Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo. Acho que tentamos essa estratégia há meses. Não está funcionando”, disse o presidente.
Críticas ao governo Trump e ao acordo UE-Mercosul
O presidente francês caracterizou a administração Trump como “abertamente antieuropeu”, acusando-a de buscar o “desmembramento” da União Europeia. Macron também mencionou possíveis retaliações americanas contra países do bloco, incluindo França e Espanha, que planejam proibir o uso de redes sociais por crianças.
Em suas declarações, Macron reafirmou sua oposição ao acordo entre a UE e o Mercosul, classificando-o como “mau negócio”.
Projeto do avião de combate europeu
Sobre o futuro avião de combate europeu (FCAS), iniciativa conjunta entre França, Alemanha e Espanha, Macron demonstrou otimismo. Ele classificou o projeto como “um bom projeto” e afirmou que “as coisas devem avançar”, apesar das tensões entre as indústrias francesa e alemã.
“É um bom projeto e não tive nenhuma manifestação alemã para me dizer que não é um bom projeto. Quando os industriais tentam criar dissensões, isso é uma coisa, mas não cabe a nós endossá-las”, declarou o presidente francês, acrescentando que pretende discutir o tema novamente com o chanceler alemão Friedrich Merz.
Questionado se o projeto FCAS estaria encerrado, Macron respondeu categoricamente: “Não”.
Em dezembro, segundo informações da Reuters, uma reunião entre os ministros da Defesa da França, Alemanha e Espanha não conseguiu chegar a um acordo para solucionar os problemas do programa, que visa desenvolver um caça para substituir os Rafales franceses e os Eurofighters alemães e espanhóis.
O FCAS é considerado estratégico para a autonomia militar europeia.
