O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (10/02) não ver razão para o atual nível de juros reais no Brasil, patamar que gera um efeito de alta sobre a dívida pública que o governo não consegue contrapor com “nenhum nível de superávit primário”.
Em evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, Haddad ponderou ser muito importante “cuidar” do Banco central, argumentando que a autarquia pode contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país.
“É muito importante cuidar do Banco Central, porque o Banco Central pode efetivamente contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país. Então, eu sou muito atento a tudo que o Banco Central diz e faz”, declarou o ministro.
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Ele acrescentou que os resultados fiscais têm apresentado consistente melhora e afirmou que gostaria de entregar dados mais positivos, mas isso também depende do Congresso Nacional.
“Eu entendo que um juro real desse, você não consegue contrapor com nenhum nível de superávit primário”, disse. “Quando eu digo que eu não vejo muita razão para o juro real continuar subindo como está, uma vez que a inflação está caindo e o juro nominal está estável em 15%, o juro real está subindo. Eu não estou querendo macular a reputação da autoridade, mas estou fazendo uma reflexão. Uma reflexão que qualquer pessoa pode fazer”, completou.
Despesas sociais
O ministro também afirmou que o país pode estar preparado para buscar uma nova arquitetura para suas despesas, sobretudo as assistenciais, destacando que a discussão sobre um programa de renda básica vai nessa direção.
Haddad disse que há estudos técnicos em andamento sobre o tema da assistência social, mas nada foi submetido ainda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Talvez nós estejamos numa situação que permita uma arquitetura nova do ponto de vista do dispêndio, sobretudo de natureza assistencial. A discussão sobre renda básica, por exemplo, vai nessa direção” afirmou.
O ministro fez um paralelo com a gestão de benefícios sociais do primeiro governo do presidente Lula, em 2003, quando programas sociais de gestões anteriores foram reorganizados e fundidos, levando à criação do Bolsa Família, “que ganhou o mundo e reputação, inclusive perante especialistas”.
Haddad afirmou que o novo modelo poderia ser mais eficiente e moderno, dizendo que “não é questão de diminuir” o gasto, defendendo que o crescimento da economia também viabiliza uma trajetória mais sustentável das despesas públicas.
Ele indicou que essa deve ser uma discussão para o governo que assumirá a partir de 2027 ao argumentar que o desenho do programa terá que ser formulado e validado pelos candidatos à presidência nas eleições deste ano.
Por Reuters
