O fim da escala 6×1 se tornou a “bola da vez” no Congresso Nacional. Em pleno ano eleitoral, essa pauta extremamente popular virou o troféu que todo político quer segurar para chamar de seu. É a notícia boa, com forte apelo social, que parlamentares e o governo buscam entregar antes do pleito, em outubro.
No Senado, dois de cada três parlamentares buscarão a reeleição, enquanto, na Câmara, a corrida por novos mandatos é total. Diante desse cenário, deputados e senadores de diversos espectros, inclusive da oposição, tentam capitalizar em cima de uma demanda que ganhou tração e mobilização nas redes sociais.
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Embora o projeto tenha nascido com a deputada Erika Hilton, o governo Lula decidiu abraçar a causa no segundo semestre do ano passado, após notar que a pauta havia “pegado”. O Planalto, agora, enxerga a medida como um pacote de boas notícias, essencial para apresentar ao eleitorado como uma marca da atual gestão.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), sinaliza que o tema deve ter andamento até maio. A meta política é aprovar o texto na Câmara ainda no primeiro semestre para que o Senado vote antes das eleições. A pressa se justifica: ninguém quer chegar em outubro sem uma entrega relevante para o trabalhador.
A discussão técnica foca na redução da jornada para 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga. Embora o texto original mencione quatro dias de trabalho, o formato provável é de cinco dias com oito horas diárias. O objetivo central é extinguir o modelo de seis dias trabalhados por apenas um de descanso.
O impacto é vasto, atingindo diretamente 38 milhões de trabalhadores em setores como comércio e serviços. Argumenta-se que, além do benefício social, há ganho de produtividade, como já observado em experiências práticas no setor hoteleiro de luxo, que busca uma adaptação suave antes mesmo da lei vigorar.
A pauta engatou e, dificilmente, será freada, mesmo com as resistências sobre o custo da mão de obra. Fato é que o fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma questão trabalhista para se tornar o grande ativo de sobrevivência política de quem busca renovar o mandato nas urnas.
