O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que incluem menções ao ministro Dias Toffoli, relator do caso na Corte.
O conteúdo do material está sob sigilo. Os dados foram obtidos após perícia realizada no aparelho celular do empresário. Como Toffoli é o relator da investigação no STF, a PF optou por encaminhar o relatório diretamente a Fachin, para que o presidente da Corte avalie se há eventual conflito de interesse ou necessidade de análise sobre suspeição.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela PF “trata de ilações” e que, juridicamente, a instituição não teria legitimidade para formular esse tipo de pedido, por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
O ministro informou ainda que apresentará resposta ao presidente do STF para esclarecer as citações encontradas. Pessoas próximas ao magistrado afirmaram que ele está tranquilo e que prestará os esclarecimentos necessários.
Como o caso chegou ao STF
A investigação envolvendo o Banco Master passou a tramitar no STF após a defesa de Daniel Vorcaro alegar que trechos do inquérito mencionavam um deputado federal, que possui foro por prerrogativa de função. Com isso, o caso foi remetido à Corte.
Por sorteio, Dias Toffoli foi definido como relator e determinou que a competência sobre as investigações e futuras diligências passasse ao STF.
O envio do processo à Suprema Corte gerou críticas de parlamentares da oposição. Um pedido para afastamento de Toffoli da relatoria foi apresentado, mas foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Perícia no celular
A Polícia Federal submeteu o celular de Vorcaro a ferramenta de quebra de criptografia após o empresário se recusar a fornecer a senha do aparelho em depoimento. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o dispositivo possuía camadas adicionais de proteção.
A PF adquiriu recentemente softwares capazes de acessar celulares com sistemas avançados de segurança e também de recuperar informações deletadas. Os dados extraídos estão sendo compilados e devem ser compartilhados com o STF e com a PGR.
Próximos passos
Em entrevista recente, o diretor-geral da PF afirmou que as investigações sobre o caso Master estão em fase final e que o inquérito principal deve ser concluído até 16/03, prazo estabelecido pelo relator.
Segundo ele, a polícia está “encaminhando todos os achados” e não descarta nenhuma hipótese, embora mantenha foco no objeto principal da investigação. O material encaminhado ao STF será analisado pela presidência da Corte, que decidirá as providências cabíveis.
