Parece que, mais uma vez, nós vamos assistir a uma grande pizza acontecendo no Brasil. A impressão que se tem, diante desse caso Master, é que ele possui tentáculos em toda parte. Se alguém puxasse o fio de fato, ruiria metade da República. O que vejo agora, com a retirada do Toffoli da relatoria, é a preparação de um processo de acomodação para que danos maiores não sejam causados à imagem do STF, que já está um pouco atrapalhada.
Essa é a nossa conhecida “operação abafa”. O caso se concentrou em um ponto, acalmaram-se as referências à esposa do Alexandre de Moraes e, assim, começa-se a assar a pizza. Isso acontece porque todo mundo tem um rabo preso e todo mundo tem medo de todo mundo. O melhor para eles é que ninguém muito grande dance de um jeito muito radical. No governo brasileiro, seja qual for o partido, ou vira pizza ou entrega-se um bode expiatório ao sacrifício. Eu já sinto cheiro de escarola e aliche.
É um teatro. Juízes usam roupas marcantes, a toga, e falam uma língua muito sofisticada para que a gente não perceba que eles são gente igual a todo mundo e que andam pisando no tomate.
Mas o circo não é só aqui; é também internacional. A ONU indicou o Irã para a vice-presidência de uma comissão de desenvolvimento social e direitos humanos. É ridículo. Uma contradição em termos ver “Irã” e “defesa das minorias” na mesma frase, sendo um país que massacra a população a gosto.
A ONU é um órgão geopolítico regido por interesses pragmáticos. O circo funciona entre os poderosos e entre os menos poderosos, porque a geopolítica continua sendo um circo.
