Ao Vivo TMC
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Thomaz Rafael
Thomaz Rafael
Mais jovem jornalista brasileiro credenciado numa Copa do Mundo (nos EUA, em 94, quando tinha apenas 18 anos), Thomaz Rafael esteve ao lado de Eder Luiz na equipe que fez história no rádio, consolidando o futebol no FM. A mesma equipe migrou para a Transamérica TMC em janeiro de 2001. Nesses 25 anos na casa, foram inúmeras coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, provas de Fórmula 1 e os principais campeonatos de futebol. Também foi apresentador e comentarista no SBT, Rede TV, Band, Conmebol TV, Cazé TV e Paulistão Play. Versátil, apresenta atualmente o Link TMC, de segunda a sexta, às 15h.

Trapalhão, mas fundamental!

Árbitros ainda não aprenderam a usar a ferramenta da forma ideal, mas futebol sem VAR é impensável

Quem acompanha meu trabalho na TMC e em outros veículos sabe que sou favorável ao uso do VAR no futebol desde a introdução do mesmo. Aliás, muito antes da tecnologia entrar em campo eu já entendia que era um absurdo o esporte mais popular do planeta ficar atrás em relação ao tênis, voleibol, futebol americano, automobilismo e tantas outras modalidades que já utilizavam ferramentas semelhantes ao VAR há muito tempo.

Passados quase oito anos da implantação da arbitragem de vídeo, chego a duas conclusões muito óbvias: a primeira é que hoje chega a ser impensável o futebol sem o VAR; e a segunda é que os árbitros ainda não aprenderam a usar a ferramenta da forma ideal.

Por mais antagônicas que sejam as duas afirmações, é fácil sustentá-las. Quando seu time do coração faz um gol e o bandeira anula o mesmo por impedimento, você sabe que haverá uma segunda avaliação do lance. Que se os olhos de um humano por ventura tiverem falhado, as máquinas mostrarão o erro. E em 90 ou 95% dos casos, um simples replay é suficiente para a checagem e a conclusão de acerto ou erro da marcação. Simples assim. O mesmo vale muitas vezes em lances de mão na bola do autor do gol, de dúvidas se a bola entrou ou não no gol, se saiu ou não pela linha lateral e assim por diante…

A questão é que a simplicidade das situações de jogo descritas acima não é regra na utilização do mecanismo. Vaidosos ou incompetentes, os árbitros que ficam na cabine do VAR insistem em aparecer mais do que o protocolo original da ferramenta sugere. E aí penais bem duvidosos são marcados… gols construídos com méritos são anulados por conta de supostas faltas no início das jogadas… e o torcedor não consegue mais celebrar até que o time adversário dê finalmente a saída de jogo no meio campo.

Essa sensação de não comemorar o gol com convicção é terrível e mata o principal momento do esporte. Chega a ser ridículo! Um gol anulado pelo VAR deveria ser uma situação absolutamente extraordinária… mas infelizmente não é assim que acontece, especialmente no Brasil.

Paralelamente ao mau uso da ferramenta há ainda a questão do protocolo. Oito anos de experiência já foram suficientes, em minha opinião, para que duas regras originais sejam alteradas: as proibições do uso do VAR para checagem do segundo cartão amarelo e também escanteios.

Centenas de expulsões injustas não puderam ser corrigidas e inúmeros gols foram marcados nascidos de erros claros da arbitragem no campo. Via de regra, um escanteio demora, no mínimo, dez ou doze segundos para ser batido. Tempo suficiente para a checagem do lance que o gerou.

E quanto ao segundo amarelo, ao significar na prática uma expulsão, ele automaticamente deveria entrar na mesma regra do cartão vermelho. É óbvio, é lógico, mas a FIFA e a Internacional Board não se manifestam e seguem com essa medida incoerente. E estúpida, sendo bem sincero.

Entre erros e acertos, o VAR se tornou parte do futebol e já ajudou a corrigir inúmeras (e aceitáveis) bobagens dos árbitros de campo. Na velocidade atual da modalidade, é impossível acertar as marcações o tempo todo. Mas a ferramenta também protagonizou, graças aos trapalhões que muitas vezes a conduzem, pisadas de bola deploráveis.

O que reforça a necessidade de seguirmos cobrando um melhor uso da tecnologia. E novas regras, já citadas aqui, para a mesma.