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Âncora de destaque no jornalismo nacional, Joana Treptow, com seu estilo espontâneo, traz uma visão humana e técnica sobre os fatos que moldam o cotidiano. Versátil e dinâmica, sua cobertura abrange desde grandes crises até tendências sociais e culturais.

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Predadores sexuais estão por toda parte, inclusive em lugares que parecem seguros

Caso de estupro em clube de SP reacende alerta sobre violência sexual infantil

Por Joana Treptow | Atualizado em
Reprodução: (Banco de Imagens)

Para gente ter uma ideia da gravidade do que acontece no nosso país, o Brasil tem uma estimativa assustadora. A cada minuto, uma criança ou um vulnerável é violentado no país. Enquanto a gente está aqui conversando, um crime desses está sendo cometido.

A maior parte deles, 80%, é cometida por familiares, por pessoas conhecidas em ambientes familiares que, em princípio, seriam seguros, como um clube social, onde muitas crianças ficam mais livres para brincar entre elas, porque, em princípio, é um lugar fechado, um lugar seguro.

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Mas, infelizmente, diante desses números, nós sabemos que os predadores sexuais estão por toda parte, inclusive — e principalmente, talvez — em lugares que parecem seguros. E aí não adianta ter câmera de segurança, porque isso prova, como provou, que a menina estava no banheiro, que ela de fato entrou naquele lugar onde ela não deveria ter entrado, mas não protege a criança do crime.

Se nós quisermos soluções, mas soluções de verdade, nós precisamos olhar para fora, aprender com países que tomaram atitudes que frearam esses números avassaladores. Por exemplo, há países onde a proteção infantil é uma obrigação legal dos lugares, dos clubes, das escolas, entre outros estabelecimentos.

Eles são obrigados a formatar, remodelar a arquitetura de forma a impedir que adultos sozinhos circulem perto de menores, e mantêm pessoas responsáveis pela segurança — seguranças ali de olho em tudo, que questionam o que as pessoas estão fazendo, estão na porta dos banheiros, dos vestiários, e fazem checagem profunda de antecedentes das pessoas que circulam nos lugares. E aí eu estou falando de uma única medida de tantas que nós precisamos insistir que sejam tomadas. A gente precisa reformular completamente a forma como nós encaramos a violência sexual.

É uma tragédia o que acontece aqui no Brasil. Vai desde a nossa legislação, vai à estrutura dos nossos espaços, vai até a educação, a consciência. Mas aí, no caso de uma criança de 4 anos, como é que a gente consegue ensinar uma criança de 4 anos? O que pode e o que não pode? É muito tenra a idade, é muito difícil.

Então, o crime acontece na brecha da oportunidade. Às vezes é um segundo, é uma pipoca, é oferecer uma vantagem para a criança, e aí o crime acontece. Mas o estrago fica feito, a câmera registra, e o estrago fica feito para a vida inteira. Então, a reflexão que a gente precisa fazer é falar sobre isso sem pudor.

Precisamos combater os crimes sexuais que são cometidos contra crianças vulneráveis, contra todo mundo, mas principalmente contra aqueles que mais precisam da nossa proteção.

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