A combinação de poucas horas de sono, consumo de álcool e exposição prolongada a barulho intenso pode provocar impactos significativos no cérebro e aumentar o risco de problemas neurológicos durante o Carnaval. Segundo Dr. Feres Chaddad, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, os efeitos são cumulativos e podem comprometer desde funções cognitivas até o equilíbrio e os reflexos.
De acordo com o médico, embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta o sono e reduz suas fases mais restauradoras, como o sono REM e o sono profundo, essenciais para a memória e a recuperação cerebral.
Ao mesmo tempo, a privação de sono compromete o funcionamento do córtex pré-frontal, área responsável por atenção, tomada de decisão e controle de impulsos. Quando associados, álcool e sono insuficiente provocam:
- Pior julgamento e maior impulsividade
- Déficits de memória e atenção
- Redução do tempo de reação
- Instabilidade emocional
Além disso, essa combinação desregula o ritmo biológico, dificultando a liberação de melatonina e favorecendo um ciclo de sono cada vez mais fragmentado.
Barulho pode agravar enxaqueca e, em casos raros, provocar crises
O barulho intenso e prolongado também representa risco, principalmente para pessoas com condições neurológicas prévias.
No caso da enxaqueca, o som não costuma ser a causa inicial da crise, mas atua como importante fator agravante. Entre 70% e 80% dos pacientes com enxaqueca apresentam sensibilidade aumentada ao som (fonofobia). Ruídos repetitivos, como trios elétricos e shows, podem intensificar a dor e precipitar crises em pessoas suscetíveis.
Já em relação às convulsões, o risco é mais restrito. Em indivíduos com epilepsia reflexa, estímulos auditivos específicos podem desencadear crises. No entanto, em pessoas sem epilepsia ou predisposição, o barulho isoladamente raramente provoca convulsões.
Reflexos e equilíbrio ficam comprometidos
A associação entre álcool e privação de sono também prejudica de forma significativa:
- Reflexos
- Equilíbrio
- Coordenação motora
- Tempo de reação
A falta de sono reduz a velocidade de processamento cerebral e pode provocar lapsos de atenção, conhecidos como microssonos. Já o álcool compromete a integração entre cérebro e cerebelo, afetando a coordenação.
Quando combinados, os efeitos são potencializados, elevando o risco de quedas, acidentes de trânsito e lesões, mesmo com consumo moderado de álcool.
Quem precisa de atenção redobrada
Pessoas com histórico de enxaqueca, epilepsia ou transtornos de ansiedade devem ter cuidados extras durante o Carnaval.
A festa reúne diversos fatores desencadeantes:
- Privação de sono
- Desidratação
- Álcool
- Luzes intensas
- Estímulos sonoros prolongados
- Ambientes superlotados
Em pessoas com epilepsia, especialmente, a falta de sono e o álcool são reconhecidos fatores que aumentam o risco de crises, mesmo em pacientes que costumam estar controlados.
Já indivíduos com ansiedade podem apresentar crises de pânico em ambientes muito estimulantes, com sintomas como taquicardia, falta de ar e sensação de perda de controle.
Sinais de alerta exigem atendimento imediato
O neurologista orienta interromper a folia e procurar atendimento médico diante de sintomas como:
- Dor de cabeça súbita e intensa, diferente do habitual
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo
- Dificuldade para falar ou entender
- Perda súbita de visão ou visão dupla
- Crise convulsiva
- Confusão mental ou desorientação
- Alteração importante do nível de consciência
Sintomas que surgem de forma abrupta, são progressivos ou mais intensos que o habitual merecem avaliação imediata.
O especialista reforça que aproveitar o Carnaval com moderação, manter hidratação adequada e preservar horas mínimas de sono são medidas fundamentais para reduzir riscos e evitar complicações neurológicas.
