EUA e Irã avançam em negociações para acordo nuclear após reunião de três horas em Genebra

Ministro iraniano Abbas Araqchi confirma progressos com EUA, mas mantém cautela sobre conclusão imediata das tratativas mediadas por Omã

Por Redação TMC | Atualizado em
O Irã e os EUA iniciaram uma nova rodada de negociações por um acordo nuclear nesta terça-feira (17/02)
(Foto: Office of the Iranian Supreme Leader/WANA (West Asia News Agency)/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY e REUTERS/Elizabeth Frantz)

Representantes do Irã e dos Estados Unidos realizaram uma reunião nesta terça-feira (17/02) em Genebra, na Suíça, onde conseguiram avançar nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. O encontro, que durou aproximadamente três horas, foi mediado por Omã e resultou em entendimentos sobre pontos fundamentais para um possível acordo.

A delegação norte-americana foi representada pelo enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. Por parte do Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, foi o escolhido.

“Chegamos a um entendimento sobre os principais termos com os EUA. Houve bons avanços em comparação com a rodada anterior”, declarou Abbas Araqchi, após o encontro. Segundo ele, equipes técnicas dos dois países trabalharão nos próximos dias na elaboração de documentos preliminares para as próximas etapas das negociações.

Apesar dos progressos, o chanceler iraniano manteve cautela quanto à conclusão imediata das tratativas. “Isso não significa que chegaremos a um acordo em breve, mas o caminho foi aberto”, afirmou Araqchi após esta segunda rodada de conversações entre os dois países em território suíço.

Essa foi a segunda vez que EUA e Irã conversaram sobre o programa nuclear iraniano. No início deste mês, em Omã, a primeira reunião teve “atmosfera muito positiva”.

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As conversações acontecem em um contexto de elevada tensão militar, com Trump ameaçando realizar ataques contra o Irã caso as negociações não resultem em um acordo que limite o programa nuclear iraniano. Antes do encontro em Genebra, uma autoridade iraniana de alto escalão informou à Reuters que o Irã pediu aos EUA que “evitassem exigências fora da realidade”.

A mesma fonte afirmou que a delegação iraniana compareceria às conversações com propostas “genuínas e construtivas”, enfatizando que o sucesso das negociações dependeria da disposição norte-americana em suspender as sanções econômicas. O governo iraniano também destacou que considera a suspensão das sanções como elemento “indissociável” de qualquer acordo com os Estados Unidos.

Possíveis termos do acordo

De acordo com informações publicadas pelo The Wall Street Journal, o Irã estaria preparado para oferecer aos EUA a interrupção do enriquecimento de urânio por três anos, além da transferência de seu estoque de urânio enriquecido para um país aliado, possivelmente a Rússia. Em contrapartida, Teerã exigiria o fim das sanções econômicas, embora não haja confirmação oficial sobre esta proposta.

O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (16/02) que participaria “indiretamente” das conversações em Genebra. Na ocasião, o mandatário norte-americano voltou a pressionar o Irã com ameaças militares. “Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One.

Tensões e posicionamentos

Em meio às tensões militares, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, respondeu às pressões americanas declarando nesta terça-feira (17/02) que Trump não conseguirá derrubar seu regime. Khamenei foi além e ameaçou atacar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, posicionado nas águas do Mar Arábico, dentro do alcance de possíveis operações militares contra o Irã.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã possui aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, concentração próxima ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear. A principal autoridade nuclear iraniana indicou esta semana que o país está disposto a diluir seu estoque caso as sanções impostas sejam suspensas.

Enquanto Washington exige que Teerã elimine seus programas nuclear e de mísseis, além de cessar o apoio a grupos armados no Oriente Médio, o regime de Khamenei mantém a posição de que apenas o programa nuclear iraniano estará em discussão nas negociações com os Estados Unidos.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, manifestou na semana passada a disposição do país em permitir “inspeções” da AIEA para comprovar a natureza pacífica de seu programa nuclear. Contudo, advertiu que o Irã não cederá a “exigências excessivas” por parte dos Estados Unidos.

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A tensão militar aumentou ainda mais quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira (16/02) a realização de novos exercícios militares no Estreito de Ormuz. Como demonstração de força, os Estados Unidos enviaram o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, para reforçar sua presença militar na região.

Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, expressou ceticismo sobre as negociações, afirmando nesta segunda-feira que alcançar um acordo com o Irã “será difícil”. Trump, por sua vez, mantém postura firme: “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo.”

Abbas Araqchi reuniu-se com Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, na segunda-feira (16/02), quando ambos relataram ter mantido uma discussão “aprofundada” sobre questões nucleares, buscando caminhos para verificação internacional das atividades atômicas iranianas. O Irã continua afirmando que seu programa nuclear tem exclusivamente fins pacíficos.

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