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Lula defende que Maduro seja julgado na Venezuela, não nos EUA

Em entrevista a um canal de televisão indiano, Lula classificou captura de Nicolás Maduro como "inaceitável"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (20/2) que o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro seja julgado em seu próprio país, e não nos Estados Unidos, como pretende o governo norte-americano.

“Não podemos aceitar que o chefe de Estado de um país invada outro país e capture o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso, e não é aceitável”, disse Lula em entrevista ao canal de televisão India Today, em Nova Délhi.

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Maduro foi retirado à força de Caracas no início do ano por forças especiais norte-americanas e levado para Nova York, onde deve ser julgado por acusações de envolvimento em tráfico de drogas.

A operação pegou o mundo de surpresa e foi condenada por diversos países, inclusive o Brasil.

Lula afirmou que o mais importante no momento é restabelecer a democracia na Venezuela e consolidá-la, e defendeu que qualquer processo contra Maduro deve ser feito em seu próprio país.

“Acredito que, se Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser julgado no seu país, e não no estrangeiro. Não é aceitável a interferência de uma nação sobre outra nação”, afirmou.

A posição sobre a Venezuela opõe Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, apesar da aproximação de ambos nos últimos meses. O brasileiro se ofereceu, mais de uma vez, para mediar a crise entre EUA e Venezuela, mas ele mesmo admitiu que não teve espaço para isso.

Segundo uma fonte brasileira, nem EUA e nem Venezuela deram espaço para o Brasil tentar abrir um diálogo, apesar de Lula ter mencionado a possibilidade algumas vezes com Trump e também ter conversado com a atual presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Relação com Trump

Apesar das críticas à ação norte-americana na Venezuela, Lula enfatizou na entrevista à emissora indiana que tem uma ótima relação com Trump e pretende que isso continue, lembrando da proposta para uma visita aos EUA em março.

O presidente disse ainda que vai levar uma proposta de ação conjunta de combate ao crime organizado aos EUA, e que será uma proposta por escrito, porque teme que “suas palavras sejam levadas pelo vento”.

“Quero ir para os EUA porque, desde que ele começou na Venezuela, dizendo que queria combater o crime organizado e o tráfico de drogas, também quero combatê-los”, afirmou. “Se vamos combater o tráfico de drogas, mandem de volta para o Brasil esses criminosos, criminosos brasileiros que estão vivendo nos Estados Unidos, para que possam ser julgados no Brasil.”

Lula também disse que pretende conversar com os EUA sobre minerais críticos, assim como está fazendo com a Índia e outros países, mas que não aceitará imposições.

“Prefiro negociar de forma soberana que o processo de transformação desses minerais críticos seja processado e exportado no nosso país, dentro do nosso país, e não fora do nosso país. E vamos vendê-los a quem quisermos vender. Não vamos aceitar imposições”, disse.

O Brasil foi convidado a participar de um conselho sobre minerais críticos que está sendo criado pelos EUA, mas não deve aceitar. A avaliação do governo brasileiro é que a proposta norte-americana restringe as possibilidades do Brasil explorar e vender seus materiais.

O assunto, no entanto, não está fora das negociações com os EUA.

“Essas questões só podem ser resolvidas em torno de uma mesa de negociações, e não é a burocracia que vai resolver isso”, disse Lula, que afirmou ainda que irá tratar das questões tarifárias com Trump.

“Tem de ser os dois chefes de Estado sentados lado a lado, olhando nos olhos um do outro, cara a cara, e dizendo tudo o que pensam. É isso que vai acontecer entre mim e o Trump.”

Leia mais: Lula defende comércio em moeda local com Índia

Por Reuters

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