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Saiba quem são os aliados de Estados Unidos e do Irã

Ataque deste sábado (28/02) representa novo capítulo geopolítico na região onde duas estruturas de alianças distintas se consolidaram ao longo das últimas décadas

Estados Unidos e Israel realizaram uma operação militar coordenada contra o Irã neste sábado (28/02). A ação ocorre em uma das regiões mais conflituosas do planeta desde meados do século XX. Washington opera 19 instalações militares no Oriente Médio. Teerã construiu uma rede de apoio concentrada em grupos xiitas.

A operação representa mais um capítulo no cenário geopolítico da região. Duas estruturas de alianças distintas se consolidaram no Oriente Médio ao longo das décadas. Washington estabeleceu parcerias com países da área através de acordos militares e econômicos. Teerã formou uma rede de apoio majoritariamente entre grupos xiitas.

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A Revolução Islâmica de 1979 transformou radicalmente as relações entre Washington e Teerã. O movimento revolucionário derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi. O regime dos aiatolás foi estabelecido, rompendo as relações que existiam entre os dois países. Desde então, os iranianos estabeleceram conexões de apoio entre vizinhos, principalmente entre grupos xiitas.

Protagonistas da operação

Os protagonistas da operação militar foram Estados Unidos e Israel. O Irã foi o alvo. Os principais participantes da estrutura iraniana não são líderes nacionais. São organizações que operam paralelamente ao Estado, ocasionalmente estabelecendo governos rebeldes.

Os principais aliados dos Estados Unidos incluem Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein, Kuwait, Egito e Síria. Do lado iraniano, destacam-se os houthis do Iêmen, o Hezbollah, o Hamas e o Paquistão.

Presença militar norte-americana

Washington opera 19 bases militares no Oriente Médio. Oito delas são controladas pelo país. Outras 11 contam com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano.

A instalação de Al Udeid, situada no Catar, representa a maior dessas bases. Cerca de 10 mil soldados estão alocados no local. O Kuwait abriga cinco bases. Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria possuem duas bases cada. Egito, Jordânia, Omã e Catar têm uma base cada.

Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã.

As alianças americanas se distribuem pela península arábica, Golfo Pérsico e Levante. Israel é o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. O país recebe armamento e compartilha inteligência e tecnologia militar.

Estrutura de alianças regionais

As estruturas de apoio na região apresentam características dinâmicas. As nações mantêm objetivos próprios, aliados diversos e, em determinadas situações, posições neutras. A divisão entre sunitas e xiitas, somada aos interesses geopolíticos de cada nação, moldou essas redes de apoio ao longo das décadas.

Riad mantém laços estreitos com o Ocidente e com os Estados Unidos há décadas. Desavenças pontuais jamais chegaram perto de escalar para um conflito aberto. A Arábia Saudita é o mais poderoso país sunita da região. Controla Meca, a cidade mais sagrada do Islã. Mantém uma desavença aberta com o Irã, xiita.

Os Emirados Árabes Unidos, na península arábica, mantêm uma forte cooperação militar e econômica com os Estados Unidos. A monarquia da família Hashem, na Jordânia, é uma tradicional aliada das potências ocidentais. A família Saud, da Arábia Saudita, segue o mesmo padrão.

O Bahrein é aliado de primeira hora da Arábia Saudita e dos Estados Unidos. O país estabeleceu um acordo com Washington para abrigar a Quinta Frota marítima americana. O país insular está localizado no Golfo Pérsico.

O Kuwait é um aliado estratégico dos americanos no Golfo Pérsico. Os Estados Unidos saíram em defesa do país quando este foi invadido pelo regime de Saddam Hussein, do Iraque, em 1990. Desde então, os dois países são parceiros em diversos acordos de Defesa.

Posição do Egito e da Síria

O governo do Cairo recebe ajuda militar americana desde os anos 1970. O país se viu obrigado a reconhecer Israel e se aproximar do Ocidente para receber de volta o controle da Península do Sinai, conquistada por Tel Aviv em 1967. O Egito atualmente tenta adotar uma postura de mediador de conflitos na região. O país não se alinha automaticamente aos Estados Unidos em todas as questões do Oriente Médio.

A Síria era um dos principais aliados do Irã durante o regime de Bashar al-Assad. A família Assad pertencia a um ramo da minoria xiita local. Com a queda de Assad, o atual presidente interino, Ahmed Al-Sharaa, um ex-integrante da Al Qaeda (sunita) local, busca aproximação com Trump e com Israel. Ele manteve o espaço aéreo aberto para aviões militares israelenses atacarem o Irã na guerra de doze dias em junho de 2025. Os ocidentais veem Al-Sharaa com desconfiança.

Aliados de Teerã

O Iêmen é efetivamente controlado pelos houthis. O grupo xiita tomou o controle da capital, Sanaa. O regime não tem amplo reconhecimento. É considerado rebelde por boa parte da comunidade internacional. Os houthis recebem apoio militar de Teerã. Empreendem ataques ocasionais a Israel.

O Hezbollah é um grupo extremista que funciona como partido libanês xiita dotado de uma milícia. Age como força paramilitar. O Líbano permanece formalmente neutro. O Hezbollah atua em forte aliança com Teerã. O grupo foi fortemente enfraquecido em 2024 com o ataque a pagers do grupo por Israel. A morte de seu líder Hasan Nasrallah também contribuiu para o enfraquecimento.

O Hamas é um dos raros aliados sunitas do Irã. O Hamas é originário da Irmandade Muçulmana. Tanto o Hamas quanto os aiatolás compartilham a aversão ao estado de Israel com raízes na identidade islâmica.

O Paquistão não é considerado um país do Oriente Médio. Faz fronteira com o Irã. Costuma se alinhar a Teerã quando o vizinho é atacado ou ameaçado. Tanto os aiatolás quanto o Paquistão compartilham a aversão ao estado de Israel com raízes na identidade islâmica.

Países com posições neutras

O Catar sedia a maior base americana dos Estados Unidos na região, Al Udeid. Tem maioria xiita, estabelecendo um canal de relações com o Irã. O emirado com sede em Doha não considera os conflitos na região como de seu interesse. Tem buscado adotar um papel de mediador.

Omã adota como princípio central da sua diplomacia a neutralidade pragmática. O sultanato aposta na estratégia de não confrontação e mediação de conflitos. Age frequentemente como canal de diálogo entre rivais.

O Iraque é parceiro dos Estados Unidos na área de defesa desde a queda de Saddam Hussein em 2003. O atual regime de governo busca equilibrar as forças xiitas e sunitas da sociedade. Por meio dos políticos xiitas, Teerã e Bagdá normalizaram relações.

Restrições ao uso de território

Em janeiro, países da Península Arábica proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã. A região tem alguns dos maiores aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia e dos Emirados Árabes Unidos.

Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos já manifestaram oposição a ofensivas norte-americanas contra Teerã. Mantêm parcerias com Washington. A ofensiva ao Irã está distante de representar consenso entre os estados pró-Washington. Muitos se posicionam contra uma guerra por motivações próprias.

O texto não especifica detalhes sobre a extensão dos ataques coordenados entre Washington e Tel Aviv. Não fornece informações sobre as consequências imediatas da operação militar. Não está claro quais países neutros ou aliados ocasionais poderiam mudar de posição em caso de escalada de conflito na região.

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