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“A Turma”: veja quem são os acusados de formar “milícia privada” de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é investigado por comandar estrutura criminosa que incluía captação agressiva de recursos, pagamentos ilícitos e grupo de monitoramento de desafetos e jornalistas

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4/03) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal apura crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

O ministro considerou a gravidade das condutas, o risco à instrução criminal e a “dinâmica violenta” atribuída às ações do grupo investigado.

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De acordo com Mendonça, Vorcaro era um “líder de organização criminosa”, que teria formado uma “milícia privada”, com “uso reiterado de coação e grave ameaça” e até “violência física” em relação aos seus adversários. O grupo era chamado de “A Turma”.

Segundo a investigação da Polícia Federal, a organização tinha diferentes frentes de atuação, com um núcleo de comando responsável por estratégias financeiras e ordens de operação. “A Turma” também monitorava alvos, obtinha dados sigilosos e intimidava desafetos.

Daniel Vorcaro definia as estratégias financeiras do grupo. Ele teria ordenado captação agressiva de recursos, pagamentos ilícitos e ações de monitoramento contra desafetos e jornalistas.

Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, é apontado como operador financeiro. Ele teria operacionalizado pagamentos ilícitos, estruturado contratos simulados para lavagem de dinheiro e financiado atividades de vigilância.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”, coordenava operacionalmente “A Turma”. Segundo as investigações, ele executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, é apontado como integrante relevante de “A Turma”. Ele teria usado experiência e contatos da carreira policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina de alvos definidos pela organização.

Leia mais: Mensagens de Vorcaro revelam ameaças de violência, intimidações e tentativa de obstruir Justiça

Núcleo de corrupção e apoio

A investigação identificou pessoas responsáveis por facilitar a atuação do grupo e dar aparência de legalidade a pagamentos.

Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, atuava como consultor informal de Vorcaro. Ele antecipava informações sobre fiscalizações e sugeria estratégias para o Banco Master.

Já Belline Santana, ex-chefe de departamento no Banco Central, teria prestado consultoria estratégica ao banqueiro. Ela teria revisado documentos que o banco enviaria ao próprio órgão regulador.

Leonardo Augusto Furtado Palhares, por sua vez, administra a empresa Varajo Consultoria. A companhia é apontada como responsável por formalizar contratos fictícios usados para dar aparência de legalidade a pagamentos ilícitos.

E Ana Claudia Queiroz de Paiva é sócia da empresa Super Empreendimentos. A companhia teria operado transferências financeiras destinadas a sustentar os pagamentos e as atividades do grupo.

Empresas com atividades suspensas

As cinco companhias que tiveram atividades suspensas são: Varajo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos, King Participações Imobiliárias e King Motors. Essas empresas eram empregadas para formalizar contratos simulados e realizar movimentação de recursos da organização.

A medida foi determinada porque as companhias teriam sido usadas para formalizar contratos simulados e movimentar recursos do grupo investigado.

A Polícia Federal prossegue com as investigações para apurar o funcionamento completo da suposta organização criminosa e a extensão dos danos ao sistema financeiro nacional.

Defesa de Vorcaro nega acusações

Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, advogados de Daniel Vorcaro, emitiram nota nesta manhã para negar as acusações imputadas contra o banqueiro.

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”, afirmaram.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, complementaram Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval.

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