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Justiça do Rio condena três acusados de matar o advogado Rodrigo Crespo

PM Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondego e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados por homicídio qualificado; vítima foi morta no Centro em fevereiro de 2024

Por Redação TMC | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Reprodução/Linkedin/Rodrigo Marinho Crespo)

O policial militar Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondego e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo. O júri popular determinou pena de 30 anos de prisão para cada um dos réus nesta sexta-feira (06/03). O crime ocorreu em fevereiro de 2024, no Centro do Rio.

Os três foram condenados por homicídio triplamente qualificado e concurso de pessoas. A sentença reconheceu agravantes de emboscada, recurso que dificultou a defesa da vítima, motivo torpe, uso de arma de fogo de uso restrito e vantagem para organização criminosa.

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O juiz Cariel Bezerra Patriota decretou a perda do cargo do policial militar Leandro Machado da Silva. As defesas dos condenados informaram que vão recorrer da decisão.

Motivação do crime

O Ministério Público afirmou que Rodrigo Marinho Crespo foi executado porque pretendia entrar no mercado de apostas esportivas. A vítima planejava abrir uma casa de bets em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

A região havia passado para o controle do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Até o início de 2023, a área era dominada por Bernardo Bello, representante da família Garcia.

“Ele (Crespo) queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, afirmou o promotor do MP-RJ, referindo-se aos réus Machado, Sobreira e Mondego.

Um promotor do Grupo Especializado em atuação no Júri (Gaejuri) do MPRJ afirmou que os condenados integram uma organização criminosa sediada em Duque de Caxias. A organização é liderada por Adilsinho, preso na semana passada em Cabo Frio.

O juiz Cariel Bezerra Patriota afirmou que “há indícios nos autos que todos os réus integravam uma organização criminosa altamente estruturada, com rigoroso padrão comportamental e complexa divisão de tarefas, formando um verdadeiro estado paralelo.”

Investigações

As investigações da DH da Capital indicam que os criminosos monitoravam Rodrigo Crespo desde 5 de outubro de 2023. Anotações com as placas dos veículos da vítima foram encontradas nos celulares de um dos investigados. As anotações foram feitas no dia em que ele foi a uma festa em Ipanema.

Os três acusados viraram réus no processo em abril de 2024. A denúncia do Ministério Público foi aceita naquele mês. Na decisão, o policial militar Leandro foi afastado do cargo.

As investigações apontam que o PM Leandro Machado da Silva, conhecido como “Cara de Pedra”, providenciou os carros usados no crime. A acusação indicou Cezar Daniel Mondego de Souza, o “Russo”, como responsável por monitorar a vítima.

A polícia apontou Eduardo Sobreira de Moraes como o responsável por seguir os passos de Rodrigo. Ele dirigia o carro para Cezar enquanto acompanhavam a movimentação da vítima antes do assassinato.

As investigações indicam que os réus se encontraram antes e depois do crime. Os encontros ocorreram inclusive perto do batalhão onde Leandro trabalhava.

Versões da defesa

Durante o júri popular, Cezar Daniel Mondego afirmou que seguiu o advogado após ter sido contratado por um marido traído. Segundo sua versão, a vítima estaria tendo um caso com uma mulher casada.

O promotor Bruno Faria, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do MP, questionou essa versão. “Questionado ontem, ele disse que o nome do contratante era Márcio. O sobrenome? Não sei. O telefone? Não tenho porque apaguei ele”, relembrou o promotor.

“Não basta matar, ainda tem que macular a memória da vítima”, declarou.

O advogado Diogo Macruz classificou as acusações contra Leandro Machado como uma perseguição injustificada. “Não temos uma prova de que Machado mandou matar o nosso colega advogado, monitorava a vítima e tampouco falava sobre esta morte com alguém”, afirmou.

Os advogados de Cezar Daniel Mondego sustentaram que ele desconhecia os verdadeiros motivos do monitoramento de Rodrigo. Durante o interrogatório, ele manteve a versão de que teria sido contratado por um marido traído.

A defesa negou qualquer vínculo de Mondego com a organização criminosa comandada por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. “As falas do Ministério Público se baseiam em presunções”, afirmou o advogado Bruno Castro.

A defesa de Eduardo Sobreira argumentou que ele trabalhava como motorista de Mondego. Segundo a defesa, ele não tinha conhecimento do motivo pelo qual seguiam Crespo.

“Motorista e amigo de Cézar Mondego há 28 anos e dirigia pra ele há alguns meses. Não tem nenhuma prova. Eduardo em momento algum tem ciência do que poderia acontecer. Não responde por organização criminosa”, declarou Felippe C. Teixeira.

Repercussão

Para o Gaejuri, a condenação representa um marco. “Evidentemente que o julgamento de hoje caracterizando isso irá ajudar em outros julgamentos em que agentes dessa organização criminosa estarão sendo denunciados para serem responsabilizados criminalmente, pois o julgamento de outros elementos de provas, eles servem para reforçar as provas colhidas nestes outros procedimentos”, disse um promotor membro do grupo.

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