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Entenda o que falta para a CPI do Banco Master ser criada no Congresso

Requerimento já tem apoio mínimo de senadores, mas instalação depende da leitura em plenário e da indicação de integrantes

Por Redação TMC | Atualizado em
Alessandro Vieira caminha no plenário do Senado
Câmera Fotográfica Alessandro Vieira protocolou o pedido para a criação da CPÌ do Master (Jefferson Rudy/Agência Senado)

A tentativa de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master avançou no Senado, mas ainda depende de etapas formais para sair do papel. Embora o requerimento já tenha alcançado o número mínimo de assinaturas, a instalação da comissão ainda não é automática e depende de decisões internas da Casa.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou na segunda-feira (09/03) um requerimento para abrir uma CPI destinada a investigar possíveis relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e personagens ligados ao caso Banco Master.

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O documento reuniu 35 assinaturas de senadores, número superior ao mínimo exigido pelo regimento do Senado, que é de 27 apoios (um terço da Casa). Entre os signatários estão parlamentares de diferentes partidos, com predominância de integrantes da oposição. Nenhum senador do PT assinou o pedido, e apenas um parlamentar da base governista aparece entre os apoiadores.

Segundo Vieira, a investigação pretende esclarecer possíveis irregularidades relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, e eventuais vínculos com integrantes do Judiciário.

O que ainda falta para a CPI ser criada

Mesmo com as assinaturas necessárias, a CPI ainda não foi oficialmente instalada. Para que isso ocorra, alguns passos regimentais precisam ser cumpridos:

1. Leitura do requerimento em plenário
O primeiro passo é a leitura do pedido pelo presidente do Senado, atualmente Davi Alcolumbre (União-AP). Somente após essa etapa o processo segue formalmente.

2. Prazo para confirmar ou retirar assinaturas
Depois da leitura, os senadores têm um curto período para retirar ou adicionar apoios ao requerimento. Se o número mínimo continuar válido, a proposta avança.

3. Publicação oficial do pedido
Mantidas as assinaturas necessárias, o requerimento é publicado oficialmente, confirmando a criação da CPI.

4. Indicação dos integrantes da comissão
Em seguida, o presidente do Senado solicita aos líderes partidários que indiquem os membros da CPI, respeitando a proporcionalidade das bancadas.

5. Eleição da direção e início dos trabalhos
Os parlamentares indicados elegem presidente e vice-presidente da comissão, e o presidente define o relator, responsável por conduzir a investigação.

Resistência política pode atrasar instalação

Apesar do avanço na coleta de assinaturas, a criação efetiva da CPI depende da condução do processo pela presidência do Senado. Nos bastidores, há resistência à instalação de uma comissão sobre o tema.

Paralelamente, também circula no Congresso a proposta de uma CPMI (comissão mista) para investigar o mesmo caso, envolvendo deputados e senadores. Essa alternativa também reuniu apoios, mas ainda não tem previsão de instalação.

O que uma CPI pode fazer

Se for instalada, a comissão terá poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, podendo:

  • Convocar autoridades e testemunhas para depor
  • Quebrar sigilos bancário, fiscal e de dados
  • Solicitar documentos e informações a órgãos públicos

No entanto, uma CPI não pode condenar nem prender investigados, exceto em caso de flagrante. Ao final dos trabalhos, o relatório aprovado é enviado ao Ministério Público, que decide se abre processos civis ou criminais.

Leia mais: Mendonça autoriza Vorcaro a falar com advogados sem gravação na prisão

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