A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, que foi acusada de injúria racial no Rio de Janeiro em janeiro deste ano, decidiu mudar de estratégia e reconhecer publicamente o crime cometido.
O jornal argentino La Nacion divulgou a mudança de posicionamento: “Cometi um erro, mas aprendi com ele”, afirmou a acusada. “Reagi de forma errada, deixando a raiva me dominar, e estou pagando o preço. Peço desculpas a todos que possam ter se sentido ofendidos”, declarou ao jornal de seu país.
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Antes, ela alegava desconhecer que o gesto constituía crime no Brasil e negava ter tido intenção discriminatória.
“Esta foi e continua sendo uma experiência de aprendizado muito difícil, mas importante, em minha vida, e espero que sirva de exemplo para os argentinos”, declarou Agostina Páez.
A jovem de 29 anos cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A Justiça brasileira reteve seu passaporte.
Nova representação legal
A alteração na linha de defesa aconteceu após Páez contratar nova representação legal. A imprensa argentina informou que ela rompeu com o advogado anterior, Ezequiel Roitman. O motivo foram divergências sobre a condução do caso.
A acusada se reuniu por duas horas no Rio com a advogada brasileira Carla Junqueira. O encontro aconteceu em um apartamento distante da área turística onde Páez permanece sob prisão domiciliar.
A nova defensora defende que é necessário reconhecer a prática do crime. “Vou mudar completamente a estratégia. Vou parar de focar no mérito da causa. Não vamos mais discutir se ela fez ou não. Ela fez, cometeu um erro e cometeu um crime”, explicou em entrevista ao veículo.
Estratégia de humanização
A abordagem adotada pela defesa busca apresentar o lado humano da acusada. “Ela está pagando um preço muito alto. Está acamada e passando por terapia constante”, afirmou a advogada.
Junqueira informou que Agostina perdeu empregos e contratos como influenciadora após o episódio.
O objetivo da defesa é viabilizar o retorno da cliente à Argentina. A intenção é que o consulado argentino no Rio estabeleça compromisso com o sistema judiciário brasileiro. A proposta visa assegurar a aplicação da legislação brasileira no país de origem da acusada.
“O juiz precisa ter a garantia de que não haverá impunidade”, argumentou.
Relembre o caso
A argentina foi flagrada cometendo ofensas racistas contra um funcionário de um bar na saída do estabalecimento no Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro. Ela prestou depoimento à polícia três dias depois.
A vítima, que não teve a identidade revelada, registrou o boletim de ocorrência ainda na quarta-feira (14). O homem relatou que a argentina apontou o dedo para ele e proferiu ofensas de natureza racial ao chamá-lo de “negro” de maneira pejorativa e discriminatória, fazendo gestos de macaco. Ele foi ouvido novamente no dia 20.
O conflito teve início após Agostina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. O gerente solicitou que ela aguardasse enquanto ele verificaria as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para conferir o que havia sido consumido.
Agostina iniciou xingamentos e ofensas discriminatórias contra um funcionário do bar durante a espera. Parte do ocorrido foi registrado em vídeo.
As imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal direcionados à vítima. Agostina também proferiu a palavra “mono”, expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista.
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