A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu quatro homens nesta quinta-feira (12/03) durante operação contra um esquema de produção e venda de armas fabricadas com impressoras 3D. A Operação Shadowgun foi realizada em conjunto com o Ministério Público do Rio (MPRJ) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O líder da organização foi capturado em Rio das Pedras, na zona oeste de São Paulo.
As autoridades cumpriram cinco mandados de prisão em São Paulo. Outros 36 mandados de busca e apreensão foram executados em 11 estados brasileiros.
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A organização fabricava carregadores de armas de fogo por impressão 3D. O grupo também distribuía projetos de “armas fantasmas”, armamentos sem rastreabilidade.
A 32ª DP (Taquara) e o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ) conduziram as investigações. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e policiais civis de outros 10 estados apoiaram a ação.
Um órgão internacional compartilhou com o Ciberlab um alerta sobre postagens em redes sociais oferecendo armas impressas em casa. O material circulava em redes sociais, fóruns e na dark web.
O principal produto distribuído pelo grupo é uma arma semiautomática impressa em 3D. O armamento era divulgado com um manual técnico detalhado e com um “manifesto ideológico” defendendo o porte irrestrito de armas.
Líder é engenheiro especializado em automação
O chefe da organização é um engenheiro especializado em controle e automação. A força-tarefa identificou outros três integrantes do esquema além do líder.
Cada membro exercia uma função específica na estrutura. As funções incluíam “suporte técnico” direto, divulgação e articulação ideológica, propaganda e identidade visual.
Os denunciados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo. Todos os procurados foram denunciados pelo MPRJ.
Os mandados de busca e apreensão foram executados em Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo e Santa Catarina.
No Rio de Janeiro, foram identificados 10 compradores. Eles estão em São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital. Na capital, os compradores foram localizados nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.
Manual tinha mais de 100 páginas
O chefe da organização elaborou um manual com mais de 100 páginas detalhando o processo de fabricação das armas. A apuração identificou que o material foi negociado com 79 compradores entre 2021 e 2022. Os clientes estão espalhados por 11 estados.
O grupo elaborava um manual anual permitindo que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D produzissem o armamento. O processo podia ser feito com equipamentos de baixo custo e em casa.
O líder da organização usava um apelido e sempre aparecia mascarado. Ele publicava nas redes sociais testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração e montagem das armas.
A organização tinha divisão clara de tarefas. O grupo combinava conhecimentos em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação dos armamentos. A organização utilizava criptomoedas para financiar as atividades.
Muitos compradores possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros delitos graves. Um dos compradores está preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munição.
A polícia investiga se o material abastecia o crime organizado, incluindo tráfico de drogas e milícias. As diligências têm apoio das Polícias Civis de outros estados.




