O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar novos ataques ao principal centro de exportação de petróleo do Irã, a Ilha Kharg, e afirmou que ainda não está pronto para um acordo com Teerã para encerrar a guerra que provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o petróleo.
O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou na terceira semana. Trump afirmou que os ataques norte-americanos “demoliram totalmente” grande parte da ilha e advertiu que novas ações podem ocorrer.
Em entrevista à NBC News no sábado, o presidente declarou: “Podemos atingi-la mais algumas vezes só por diversão.”
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A declaração representa uma escalada no tom do governo norte-americano. Antes, Trump havia afirmado que os alvos eram apenas instalações militares em Kharg.
O endurecimento do discurso também enfraquece os esforços diplomáticos para encerrar a guerra, que já se espalhou pelo Oriente Médio e deixou mais de 2.000 mortos, a maioria no Irã e no Líbano.
Segundo três fontes ouvidas pela Reuters, Washington deixou de lado tentativas de aliados do Oriente Médio de iniciar negociações. Ao mesmo tempo, os Guardas Revolucionários do Irã afirmaram neste domingo ter lançado novos mísseis contra Israel e três bases militares dos EUA na região.
Trump também apresentou uma série de exigências para um eventual acordo, entre elas a participação na escolha do líder do Irã, o fim dos programas nucleares e o encerramento do desenvolvimento de mísseis balísticos. O presidente afirmou à NBC que Teerã parece disposto a negociar, mas disse que “os termos ainda não são bons o suficiente”.
Na mesma entrevista, Trump levantou a possibilidade de que o líder supremo Mojtaba Khamenei tivesse sido morto. O chanceler iraniano Abbas Araqchi, porém, afirmou que Khamenei está com plena saúde e continua comandando a resposta do país ao conflito.
Guerra e crise energética devem continuar
Sem uma perspectiva clara de cessar-fogo, o bloqueio do Estreito de Ormuz se tornou uma das maiores preocupações para a economia global. Cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passam pelo estreito, localizado na costa sul do Irã.
A rota marítima está praticamente fechada para grande parte da navegação internacional desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma intensa campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo milhares de alvos no país.
O atual líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que assumiu o cargo após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos ataques, afirmou que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado.
A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou na semana passada que o bloqueio provocou a maior interrupção já registrada nos mercados globais de petróleo, com impacto estimado de redução de cerca de 8% na oferta mundial em março.
Apesar da crise, o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — um dos principais centros globais de abastecimento de navios —, retomou no domingo o carregamento de petróleo, segundo uma fonte do setor. Mesmo assim, os preços do petróleo já ultrapassaram US$ 100 por barril e podem subir ainda mais na próxima semana.
A escalada da guerra também gera pressão política interna nos Estados Unidos, especialmente para o Partido Republicano de Trump, que enfrenta eleições de meio de mandato em novembro.
Trump, no entanto, minimizou o impacto do aumento do petróleo para os consumidores norte-americanos, afirmando que os preços devem cair rapidamente.
Ao mesmo tempo, ele pediu que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios de guerra ao Estreito de Ormuz para garantir a segurança da navegação.
A França tenta organizar uma coalizão internacional para proteger o estreito, enquanto o Reino Unido discute alternativas com aliados para garantir a segurança do transporte marítimo, segundo autoridades.
Leia mais: Irã promete retaliação por ataque dos EUA à Ilha Kharg
Até agora, porém, nenhum desses países indicou movimentações imediatas enquanto os combates continuarem.
O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou ao seu homólogo francês que os países devem evitar qualquer ação que amplie o conflito. Ele também alertou que o Irã responderá a qualquer ataque contra suas instalações de energia.
*Com informações da Reuters




