Super Quarta: Veja o que analistas esperam das decisões de Fed e Copom

O cenário desta quarta-feira (18/03) é atravessado por tensões no Oriente Médio e pela valorização das commodities energéticas

Por Felipe Pjevac | Atualizado em
Fed e Copom vão tomar decisões sobre o rumo dos juros nas economias americana e brasileira. (Foto: Pexels)
Resumo
  • A "Superquarta" desta quarta-feira (18/03) promete ser um dos divisores de águas para o mercado financeiro em 2026.
  • O termo define o raro dia em que o Copom e o Fed divulgam simultaneamente suas taxas básicas.
  • O cenário deste encontro, contudo, é atravessado por uma escalada de tensões no Oriente Médio e pela valorização recente das commodities energéticas.

A “Superquarta” desta quarta-feira (18/03) promete ser um dos divisores de águas para o mercado financeiro em 2026, concentrando as atenções de investidores nas decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos.

O termo define o raro dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve (Fed) divulgam simultaneamente suas taxas básicas, ditando o ritmo da liquidez global e a atratividade dos ativos brasileiros.

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O cenário deste encontro, contudo, é atravessado por uma escalada de tensões no Oriente Médio e pela valorização recente das commodities energéticas.

De acordo com Edson Mendes, CFP e sócio-fundador da Private Investimentos, o aumento no preço do barril de petróleo pode funcionar como uma bomba inflacionária, forçando os bancos centrais a pisarem no freio.

O especialista observa que, enquanto o mercado já reprecificou um corte mais tímido no cenário brasileiro, a manutenção do atual patamar de juros nos Estados Unidos não seria uma surpresa para os agentes econômicos.

Hugo Queiroz, sócio e diretor da L4 Capital, compartilha da visão de estabilidade em solo americano, destacando que a probabilidade atual é de manutenção no intervalo da taxa vigente. “Acredito que deva se materializar esse cenário previsto pelo mercado, então não vai trazer nenhuma surpresa, já podemos dizer que está no preço das percepções dos agentes econômicos”, avalia Queiroz.

No cenário doméstico, ele aponta uma redução do ritmo de corte por prudência, mencionando que o comunicado do Banco Central pode mudar para um tom de interrupção ou cortes mais espaçados daqui para frente.

Essa cautela com o horizonte internacional também é reforçada por Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, que projeta um início de ciclo de corte no Brasil o mais brando possível. “Tenho como expectativa o primeiro corte mais brando possível, que seria 25 basis point, com observações na ata do Copom dividindo o peso entre políticas fiscais e a pressão inflacionária do petróleo”, afirma Simão.

Para ele, resta saber quanto tempo o Fed poderá estender a pausa nos juros americanos, visto que a inflação vinda do tanque de combustível é historicamente sensível para a popularidade política nos Estados Unidos.

Divergindo da visão de maior cautela no ritmo, Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, sustenta uma projeção de redução de 0,5 ponto percentual para a Selic. “Consideramos haver espaço para um corte de 0,5 p.p., pois a economia brasileira tem dado sinais claros de desaceleração e um choque de curto prazo no petróleo não deve tornar a política monetária mais restritiva do que tendia a ser”, defende Sartori.

Sobre o Fed, o economista espera manutenção, pontuando que o risco de aceleração inflacionária derivada da energia deve gerar receio na autoridade monetária norte-americana.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, ressalta que o Copom deve adotar uma postura vigilante diante das incertezas geopolíticas. “Não tem sido o perfil do Copom começar um ciclo de cortes e fazer pausas, por isso o mais provável é que os cortes sejam menores para depois acelerarem com um possível fim do conflito”, estima Perri.

Ele pontua que a manutenção da taxa Selic só ocorreria em um cenário de desancoragem extrema do câmbio, algo que, por ora, não está no radar das projeções da casa.

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