Morre aos 91 anos o ator Juca de Oliveira, gigante da teledramaturgia e estrela da novela “O Clone”

Membro da Academia Paulista de Letras, o artista imortalizou personagens como o cientista Dr. Albieri e ajudou a fundar as bases do teatro moderno no país

Por Redação TMC | Atualizado em
Ator Juca de Oliveira
(Foto: Instagram/Juca de Oliveira)

O ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira morreu na capital paulista aos 91 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde a última sexta-feira (13/03) para tratar um quadro de pneumonia associado a uma complicação cardiológica. O artista, que havia celebrado seu 91º aniversário na última segunda-feira (16/03) no próprio hospital, teve seu estado de saúde agravado nos últimos dias, deixando uma lacuna imensurável na cultura nacional.

Com mais de seis décadas dedicadas à arte, Juca de Oliveira transcendeu o ofício de ator para se tornar uma das mentes mais brilhantes e respeitadas do teatro, do cinema e da televisão no Brasil.

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Nascido José Juca de Oliveira Santos, em 16 de março de 1935, na cidade de São Roque (SP), ele iniciou sua trajetória artística nos palcos paulistanos no final da década de 1950. Juca foi figura central de movimentos que redefiniram as artes cênicas no país, passando pelo histórico Teatro de Arena e pelo Teatro Oficina, onde ajudou a consolidar uma dramaturgia genuinamente brasileira, politizada e profunda.

Sua paixão pelas palavras não se limitou à interpretação. Juca era um escritor talentoso e membro imortal da Academia Paulista de Letras (APL). Como dramaturgo, assinou grandes sucessos de bilheteria e crítica, como a comédia Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa, que mais tarde foi adaptada para o cinema.

Sucesso em “O Clone”

Na televisão, Juca de Oliveira foi o rosto e a voz de personagens que habitam o imaginário do público brasileiro. Com um estilo de interpretação marcado pela dicção impecável e pela densidade psicológica, ele transitou com maestria entre heróis românticos, vilões inescrupulosos e figuras de profunda dualidade moral.

Um de seus papéis mais icônicos — e globalmente reconhecidos — foi o do Dr. Augusto Albieri, na novela O Clone (2001), escrita por Gloria Perez. Na trama, ele deu vida ao atormentado cientista que, movido pela dor da perda e pela ambição desmedida, realiza a primeira clonagem humana, levantando debates éticos que pararam o país.

Principais marcos de sua carreira na TV:

  • Saramandaia (1976): marcou época ao interpretar o inesquecível João Gibão, um homem que escondia um par de asas sob o paletó, em uma das obras máximas do realismo fantástico de Dias Gomes.
  • Ninho da Serpente (1982): na TV Bandeirantes, entregou uma atuação magistral como o dr. Almeida Prado.
  • Fera Ferida (1993): brilhou como o prefeito Professor Praxedes, destilando um texto rebuscado e cômico.
  • O Clone (2001): o cientista Dr. Albieri, papel que o eternizou para dezenas de países ao redor do mundo.
  • Avenida Brasil (2012): surpreendeu o público moderno ao dar vida ao dissimulado Santiago, que se revelou o grande vilão da reta final do fenômeno de João Emanuel Carneiro.

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