A ausência do atacante Sardar Azmoun na lista da seleção do Irã para os amistosos de março ganhou contornos políticos e aumentou a tensão em torno da equipe nacional. Principal nome ofensivo do país nos últimos anos, o jogador ficou fora da convocação em meio a uma polêmica fora de campo.
Segundo a imprensa iraniana, a exclusão de Azmoun vai além de critérios técnicos. O atacante, que soma 57 gols em 91 partidas pela seleção, publicou recentemente uma foto ao lado de autoridades de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, incluindo o primeiro-ministro Mohammed bin Rashid Al Maktoum. A publicação foi apagada pouco depois, mas gerou forte repercussão negativa.
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O episódio ocorre em meio a um cenário de grave tensão geopolítica envolvendo o Irã, que vive conflito com Estados Unidos e Israel. Os Emirados Árabes Unidos, país onde Azmoun atua pelo Shabab Al-Ahli, são considerados adversários políticos no contexto regional. A aproximação do jogador com lideranças locais foi interpretada como gesto de deslealdade por setores do governo iraniano.
De acordo com a agência estatal Fars, uma fonte ligada à seleção afirmou que o atacante teria sido cortado após a polêmica. Até o momento, a Federação de Futebol da República Islâmica do Irã não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Apesar da ausência, Azmoun vinha sendo presença frequente nas convocações do técnico Amir Ghalenoei e era considerado peça importante no elenco. O Irã enfrentará Nigéria e Costa Rica em amistosos na Turquia sem seu principal artilheiro recente.
Copa do Mundo sob incerteza
A situação individual de Azmoun ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de instabilidade. Mesmo classificado para a Copa do Mundo de 2026 como líder de seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas, o Irã ainda não tem presença garantida no torneio.
Autoridades do país já indicaram que podem boicotar a competição, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. O ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou no início de março que o país não participará “sob nenhuma circunstância”, responsabilizando o governo norte-americano pela escalada do conflito após a morte do líder supremo Ali Khamenei.
Caso o Irã desista oficialmente da vaga, a Fifa será responsável por definir um substituto, já que o regulamento atual não estabelece critérios claros para esse tipo de situação.
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