O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira (23/02) que há um diálogo em curso entre seu governo e autoridades iranianas para o fim do conflito no Oriente Médio. Mais cedo, agências de notícias estatais iranianas negaram haver negociações, como Trump afirmou também nesta segunda-feira (23/03) mais cedo ao anunciar uma pausa de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã.
Trump determinou ao Departamento de Guerra a suspensão de operações militares contra usinas de energia e instalações energéticas iranianas. A medida vale por cinco dias e está condicionada ao andamento das reuniões entre os dois governos. O presidente divulgou a decisão na rede Truth Social.
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“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio. Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, declarou Trump.
Em conversa com jornalistas pela manhã, o presidente afirmou que as conversas indicam grande possibilidade de acordo. Trump disse que o Irã aceitou o compromisso de não desenvolver armamento nuclear.
O presidente norte-americano afirmou que foram autoridades iranianas que procuraram a Casa Branca para iniciar o diálogo. “Eles que (nos) ligaram. Eu não liguei (para eles)”, disse Trump ao ser questionado sobre o suposto diálogo.
Trump declarou que a conversa não ocorre com o atual líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, escolhido para substituir seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em ataque de Israel. O presidente norte-americano afirmou não reconhecer Mojtaba Khamenei como novo líder. Trump disse que as negociações tratarão de uma nova liderança para o Irã.
Agências iranianas negam que haja diálogo
A agência de notícias iraniana Fars, estatal da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou nesta segunda-feira (23/03) que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos EUA. Com base em fontes do governo iraniano, a Fars disse também que o presidente dos EUA recuou após ouvir as ameaças do Irã de atacar estações energéticas no Golfo.
A Tasmin, outra agência estatal iraniana, também desmentiu a fala de Trump, com base em fontes do governo do Irã. “Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia”, disse a Tasmim.
Segundo a agência de notícias Mehr, o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que a declaração de Trump é uma tentativa de fazer com que os preços do petróleo e gás, que dispararam após a guerra, voltem a cair.
Trump alegou que provavelmente há uma falta de comunicação interna no governo do Irã por conta dos recentes ataques dos EUA e de Israel.
Ultimato de Trump
Nesta manhã, Trump anunciou uma trégua de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã e afirmou ter tido “conversas muito boas” no fim de semana com lideranças iranianas.
Foi uma resposta a Trump, que no sábado (21) falou em “obliterar” usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse totalmente o estreito de Ormuz em até 48 horas.
O prazo limite venceria por volta das 19h44, no horário de Brasília, desta segunda-feira.
A declaração do presidente americano ocorreu um dia após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar fechar “completamente” o Estreito de Ormuz e atacar instalações energéticas de Israel e aquelas que fornecem energia às bases norte-americanas em toda a região do Golfo.
Ameaças iranianas
Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana disse que, em caso de ataque às instalações energéticas iranianas, irá “Destruir completamente” empresas no Oriente Médio que tenham participação norte-americana e considerar como “alvos legítimos” instalações de energia em países que abrigam bases dos EUA.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse nas redes sociais que o país irá “destruir de forma irreversível” infraestruturas críticas e instalações de energia no Oriente Médio.
As Forças Armadas iranianas afirmaram que todas as infraestruturas de energia pertencentes aos EUA na região serão alvo de uma eventual resposta de Teerã caso ocorra o ataque indicado por Trump.
O embaixador iraniano na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, afirmou que o estreito permanece fechado apenas para navios dos “inimigos do Irã” e que o Irã quer contribuir para a passagem segura das demais embarcações.
A guerra entre os dois países se estende há mais de três semanas. Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerada uma escalada no conflito.




