O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou o balanço financeiro de 2025 em votação realizada na noite desta sexta-feira (27/03). Foram 210 votos contrários, 24 favoráveis e três abstenções. A decisão ocorreu após anulação de pleito anterior por falha técnica no sistema eletrônico.
A empresa Tafner, responsável pelo sistema de votação, reconheceu problema que impediu a identificação dos votantes. O edital da sessão previa acesso a essa informação. A primeira votação, realizada na quinta-feira (26/03) e posteriormente anulada, havia registrado 194 votos contrários e 34 favoráveis.
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O balanço apresentou superávit de R$ 56 milhões. A reprovação está relacionada a saques realizados pelo ex-presidente Julio Casares. Ele renunciou ao cargo no início de 2026 após enfrentar processo de impeachment.
Relatório divulgado pelo portal Uol e confirmado pelo ge aponta que Casares efetuou saques de R$ 11 milhões durante 2025. Desse total, apenas R$ 4 milhões possuem justificativa documentada. O valor de R$ 6.953.000 permanece sem explicação ou comprovação de gastos. O documento contábil classifica esse montante como despesas promocionais.
A auditoria responsável pela análise destacou a ausência de documentação que comprove a destinação dos recursos. Com a reprovação, a gestão do clube pode apresentar os documentos faltantes e solicitar que o relatório seja refeito.
Parte dos membros do Conselho Deliberativo considera que Julio Casares pode ser alvo de pedidos de exclusão do colegiado. Esses pedidos seriam encaminhados à Comissão de Ética. Caso o ex-presidente não comprove a destinação do valor questionado, o São Paulo pode solicitar o ressarcimento dos recursos.
Na noite de quinta-feira, Julio Casares divulgou nota à imprensa por meio de seus advogados, Daniel Bialski e Bruno Borragini.
“A defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragini, esclarece que o montante de R$ 7 milhões vazado à imprensa durante a reunião do Conselho Deliberativo, ocorrida em 25/03/2026, não foi solicitado, não foi destinado e, por óbvio, não foi utilizado por Julio Casares.
Tais valores constam em registro na contabilidade do Clube, e foram disponibilizados pela Diretoria Financeira e Contadoria do Clube para serem utilizados em despesas recorrentes de, no mínimo, 172 jogos do SPFC em diversas competições. Ou seja, tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada nas despesas do Clube.
Aliás, não há rubrica, anotação ou qualificação na contabilidade do Clube, que formal ou informalmente registre que ‘valores em espécie teriam sido disponibilizados à Presidência’.
Ao contrário da equivocada assertiva que vem sendo reverberada na mídia, esclarece-se que referido numerário transitou pela conta contábil do SPFC com a formal rubrica ‘ações promocionais’, alocada nas movimentações financeiras em jogos e constante da pasta contábil ‘adiantamentos em jogos’, acautelada na Contadoria do Clube e, inclusive, já apresentada às autoridades anteriormente.
Por fim, causa estranheza a tentativa de se abafar que o balanço foi previamente aprovado pelos Conselhos de Administração e Fiscal, bem como o registro do superávit de R$ 56 milhões, da redução da dívida de R$ 110 milhões e do faturamento recorde na história do São Paulo Futebol Clube, que atingiu R$ 1 bilhão.”
O balanço de 2025 registrou redução da dívida do clube em R$ 110 milhões. O faturamento do São Paulo atingiu R$ 1 bilhão, valor recorde na história da instituição. Os Conselhos de Administração e Fiscal haviam aprovado previamente esses números antes da submissão ao Conselho Deliberativo.
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