Como toda Copa do Mundo que se preze, a de 2026 também conta com teorias da conspiração. E todas têm a Argentina como principal alvo, ou seria vítima? As narrativas tentam “explicar” o fraco desempenho do time de Lionel Messi na grande decisão, vencida pela Espanha com uma ampla superioridade técnica e tática.
Todas as teorias partem de declarações do número 10 da Argentina pouco antes de a equipe entrar em campo para jogar a final, no domingo, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Vídeo da transmissão oficial mostra Messi tentando estimular seus companheiros de time com frases que geraram suspeitas por parte de torcedores argentinos.
“Vamos lá, pessoal, calma, galera, calma. O mais importante é ficarmos tranquilos, pessoal. Vamos pensar só em jogar, né. Calma, vamos esquecer tudo, esquecer tudo. É, vamos só jogar, pensar só em jogar, galera. Em jogar, vamos lá”, afirmou Messi, pouco antes de guiar a equipe rumo ao gramado para a final.
Para alguns argentinos, a frase “vamos esquecer tudo” seria um indicativo de algo que aconteceu nos vestiários e não foi divulgado. Poderia ser uma revelação bombástica ou até orientação para a postura do time em campo. E aí as especulações crescem em progressão geométrica.
Em comum, todas as narrativas têm o mesmo fim: a especulação de que a seleção argentina não poderia conquistar seu segundo título consecutivo da Copa – foi campeã em 2022, no Catar, seu terceiro troféu da história.
Eleição na Fifa
A partir desta ideia, o que muda são os motivos que impediriam o título. Uma das teorias mais populares diz que a seleção argentina teria sido informada de que a arbitragem beneficiaria a Espanha. A causa? O presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria prometido à Uefa que o campeão desta Copa seria europeu.
Por trás de tudo isso haveria uma motivação claramente política. Infantino estaria buscando apoio e votos da confederação europeia para a próxima eleição, que ele pretende disputar, em março de 2027. De fato, desde que assumiu o cargo, o líder da Fifa costuma receber apoio incondicional das confederações das Américas e da África. E vem enfrentando resistência por parte dos europeus. Mas não há nenhuma evidência que ajuda a sustentar a ligação entre o cenário político do futebol mundial e a derrota da Argentina.
Afa investigada pelo FBI
Outra teoria conecta o resultado às investigações do FBI. Durante a Copa, vazou a informação de que a polícia federal americana estava apurando movimentações financeiras suspeitas da cúpula da Afa, a Associação do Futebol Argentino (entidade equivalente à CBF, no Brasil).
A investigação foi confirmada. Mas não houve nenhuma ação prática ou com efeitos diretos sobre a seleção argentina. Apesar disso, há uma teoria que relaciona o presidente da Afa, Claudio Tapia, à derrota para a Espanha. A narrativa aponta que o revés na final seria uma forma de evitar a prisão de Tapia, numa correlação de fatos sem nenhum embasamento em fatos ou evidências. Pela lógica da teoria, os dirigentes argentinos seriam punidos pelo FBI em caso de vitória argentina no domingo. Novamente, não há qualquer fundamento, fato ou evidência que suporte esta narrativa.
Faixa sobre as Malvinas
Uma outra teoria, ainda mais elaborada, contou até com divulgação de um canal de TV argentino. E faz referência a um fato objetivo: a exibição de uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas”, de claro teor político, o que é vetado pela Fifa em suas competições. Os próprios jogadores da seleção sul-americana exibiram a faixa ao fim da partida contra a Inglaterra.
A situação tem um agravante porque a faixa tinha objetivo provocativo diante dos ingleses, uma vez que as Ilhas Malvinas, segundo a definição dos argentinos, foi alvo de disputa com a própria Inglaterra, em uma guerra nos anos 80. É possível que a Argentina venha a sofrer uma dura punição por parte da Fifa por infringir esta conhecida regra do futebol mundial.
Esta teoria da conspiração conta até com um suposto áudio de Claudio Tapia no qual explica a postura da seleção em campo na final. “A Fifa disse para a Argentina entregar a partida, caso contrário poderia ser surpreendida”, diz a mensagem que seria de Tapia – ele não se manifestou publicamente sobre o áudio, de autoria desconhecida até o momento.
As teorias contrastam com uma situação incomum verificada durante toda a Copa do Mundo 2026. Para especialistas de diversos veículos de comunicação de vários países, a Argentina teria sido beneficiada pela arbitragem de forma recorrente ao longo de praticamente todos os seus jogos. A equipe foi uma das que mais cometeu faltas durante o campeonato. Porém, não teve nenhuma decisão do VAR contra o time em seus oito jogos neste Mundial – nem mesmo na final, onde teria sido prejudicada, segundo as teorias da conspiração.




