Fabiano Farah
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Fabiano Farah é jornalista, atuando na profissão desde 1995. Setorista do Santos FC, soma décadas de jornalismo esportivo, com experiência na cobertura de eventos nacionais e internacionais. No comando do canal "E SÓ DÁ SANTOS", ele traz para a TMC informações exclusivas e uma análise apaixonada sobre o Peixe.

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Como Neymar se encaixaria no tabuleiro de Carlo Ancelotti

Entre a liberdade criativa e o rigor Tático: o caminho para harmonizar o talento do camisa 10 com o equilíbrio europeu do comandante Italiano

Por Fabiano Farah | Atualizado em
(Foto: Raul Baretta/Santos FC)

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 entrou em sua fase mais crítica. Com a lista final de Carlo Ancelotti programada para o dia 18 de maio, o Brasil vive o dilema de sempre, mas com uma roupagem inédita: como — e se — Neymar, agora de volta ao Santos, se encaixa na engrenagem de um técnico que prioriza o equilíbrio e a intensidade acima do nome na camisa?

Ancelotti nunca foi um treinador de esquemas rígidos; ele é um mestre em moldar o sistema ao talento. No Real Madrid, transformou Bellingham em um “falso 10” e deu liberdade total a Vini Jr. Na Seleção, o italiano já deu a pista: ele vê Neymar como um “Falso 9”.

Onde Neymar entra no tabuleiro?

O futebol de 2026 é impiedoso com quem não corre sem a bola. Ancelotti sabe que, aos 34 anos e após o histórico de lesões que abreviou sua passagem pela Arábia Saudita, Neymar não tem mais o fôlego para ser o ponta que dribla três e volta para marcar o lateral.

A Função “Falso 9”: Com Vini Jr. e Raphinha ocupando as pontas com velocidade explosiva, Neymar seria o “cérebro” central. Sua missão seria flutuar entre as linhas defensivas, atrair a marcação e servir os garotos que voam pelos lados.

O “Fator Bellingham”

Ancelotti pode repetir o que fez com o inglês: colocar Neymar no topo de um losango no meio-campo, protegendo-o defensivamente com três volantes de contenção (como Bruno Guimarães e Casemiro) para que ele guarde energia apenas para o toque de gênio no terço final.

O Obstáculo: 100% ou Nada

A técnica de Neymar permanece intacta — seus números recentes pelo Santos, com gols e assistências em poucos jogos, provam que o “fino” ele ainda tem. O problema, como o próprio Ancelotti enfatizou diversas vezes em coletiva é a intensidade física.

“Neymar com bola está muito bem. Mas ele tem que trabalhar para estar em 100% de suas possibilidades. Para mim e para a comissão, ele ainda não está lá.” — Carlo Ancelotti, março de 2026.

O corte de Neymar nos amistosos contra França e Croácia foi um recado claro. Ancelotti não aceita o “Estatuto do Camisa 10”. Se Neymar quiser ir para a sua quarta — e última — Copa, ele terá que provar no Brasileirão que seu corpo aguenta o ritmo de sete jogos em 30 dias.

Neymar na Seleção de Ancelotti não seria mais o protagonista absoluto que carrega o piano, mas sim o solista de luxo. Se aceitar ser a peça que refina o jogo de uma geração fisicamente superior, ele pode ser o diferencial para o Hexa. Se insistir em ser o centro gravitacional de todas as jogadas, pode acabar assistindo ao Mundial do sofá da Vila Belmiro.

A bola está com o 10. E o relógio de Ancelotti não para.

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