Governador interino do RJ se reúne com presidente do STF, Edson Fachin

Desembargador Ricardo Couto, que governa estado interinamente, discutiu com ministro disputa sobre eleições diretas ou indiretas para sucessão de Cláudio Castro no Rio

Por Redação TMC | Atualizado em
Pela legislação eleitoral, a cassação a mais de seis meses do fim do mandato exige a convocação de eleições diretas (Crédito: Agência Brasil)

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, reuniu-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, nesta terça-feira (31/03), em Brasília. Couto exerce interinamente o governo fluminense. O procurador-geral do estado, Renan Saad, acompanhou o encontro.

A reunião aconteceu um dia após Fachin agendar julgamentos sobre a sucessão de Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo na semana passada. O encontro tratou de questões jurídicas que afetam o Rio de Janeiro, conforme informações de Paulo Cappelli, no Metrópoles. Os participantes discutiram a disputa sobre o modelo de escolha do sucessor de Castro. Ações sobre as regras de distribuição dos royalties do petróleo também foram abordadas.

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O plenário do STF analisará o tema dos royalties do petróleo em 6 de maio. Duas ações apresentadas pelo PSD sobre os procedimentos de sucessão serão julgadas em conjunto em 8 de maio.

A linha sucessória do Rio de Janeiro entrou em colapso em 2025. O vice-governador Thiago Pampolha renunciou naquele ano para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi afastado do cargo.

Ricardo Couto assumiu interinamente o governo na semana passada devido à vacância dos dois primeiros postos na sucessão. Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os ministros do TSE consideraram prejudicada a eventual cassação do mandato em razão da renúncia.

Castro foi condenado à inelegibilidade por abuso de poder político e econômico. O TSE indicou a realização de eleições indiretas para a escolha do substituto. A defesa de Castro argumentou que a saída atendia ao prazo de desincompatibilização para uma eventual candidatura ao Senado.

O PSD contestou o entendimento do TSE. Na ação relatada pelo ministro Cristiano Zanin, a legenda defende que o sucessor seja escolhido por meio de eleições diretas, com participação de todo o eleitorado fluminense. O argumento do partido é que a renúncia teria sido antecipada para evitar uma cassação iminente.

Pela legislação eleitoral, a cassação a mais de seis meses do fim do mandato exige a convocação de eleições diretas. Quatro ministros do STF já se posicionaram a favor de eleições diretas em julgamento virtual sobre as regras da eleição indireta: Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

A Corte deverá definir o formato da escolha do “governador-tampão”. Inicialmente, prevalecia o entendimento de que a substituição ocorreria por eleição indireta, na qual deputados estaduais escolhem o novo governador. A condenação de Castro pelo TSE abriu uma nova frente de questionamentos.

Eduardo Paes e o PSD passaram a defender publicamente a realização de eleições diretas. O ex-prefeito do Rio é pré-candidato ao governo. Paes sinaliza que pode disputar o cargo caso esse modelo seja confirmado pelo Supremo.

O deputado Douglas Ruas também passou a defender eleições diretas. Ruas afirmou que poderá concorrer em eventual pleito. O PL na Alerj defende que o candidato da legenda deve ser Douglas Ruas, independentemente do modelo adotado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou apoio ao nome do deputado. A declaração foi divulgada em vídeo na noite de segunda-feira (30/03). A decisão da Corte definirá se haverá eleições diretas ou indiretas para a escolha do governador interino do Rio de Janeiro.

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