Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou que o país está perto de concluir os objetivos militares estabelecidos no conflito com o Irã. O republicano fez o anúncio nesta quarta-feira (01/04), durante pronunciamento televisionado realizado na Casa Branca. As metas eram eliminar a capacidade de Teerã de atacar território norte-americano e impedir a projeção de poder militar iraniano além de suas fronteiras.
Trump declarou que os EUA atacarão a infraestrutura energética iraniana nas próximas semanas. “Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos. Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo”, afirmou o presidente.
O pronunciamento ocorreu para atualizar a população norte-americana sobre o andamento da guerra contra o Irã, que está em sua quinta semana. Aliados do presidente têm pedido que o governo apresente aos eleitores uma justificativa mais clara para o conflito.
Trump anunciou uma alteração na estratégia militar. Os Estados Unidos passarão a atacar alvos da infraestrutura de energia do Irã. “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”, declarou o republicano.
O presidente acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã “muito rapidamente”, os militares poderiam retornar para “ataques pontuais” conforme necessário.
Rejeição popular à guerra
Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre sexta-feira (27/03) e domingo (29/03) revelou que 60% dos eleitores norte-americanos desaprovam a guerra. A aprovação ao conflito foi registrada por 35% dos entrevistados.
Cerca de 66% dos participantes da pesquisa afirmaram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente o envolvimento na guerra. Essa parcela defende o fim do conflito mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo.
Trump enfrenta um eleitorado norte-americano cauteloso com a guerra. Os índices de aprovação do presidente estão em queda. As pesquisas de opinião pública mostram que o conflito é amplamente impopular, principalmente entre os eleitores independentes.
Os preços do barril de petróleo têm subido pelo mundo, dentro e fora dos Estados Unidos. Trump trouxe a Venezuela para a zona de influência norte-americana e garantiu o país como fonte de petróleo. Muitos norte-americanos estão frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido a interrupções no fornecimento global de petróleo.
Posição sobre o Estreito de Ormuz
Trump adotou postura evasiva ao comentar sobre o Estreito de Ormuz. O presidente sugeriu que a reabertura do corredor interessa mais aos países europeus do que aos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, afirmou Trump.
O Estreito de Ormuz é o corredor que escoa o petróleo do Golfo Pérsico. O Irã fechou a passagem. Trump criticou recentemente líderes europeus por se recusarem a enviar navios militares para uma operação que mantivesse Ormuz aberto contra a vontade de Teerã.
Os países europeus avaliam que esse problema foi criado por EUA e Israel. Os aliados europeus rejeitaram pedido dos EUA para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pela região.
Trump concedeu entrevista à agência Reuters mais cedo na quarta-feira (01/04). Na ocasião, o presidente disse que expressaria seu descontentamento com a OTAN pelo que considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã.
Trump afirmou que estava “absolutamente” considerando retirar os EUA da OTAN. A organização teve seu tratado ratificado pelo Senado dos EUA em 1949.
Um racha transatlântico durante o segundo mandato de Trump se aprofundou depois que os aliados europeus rejeitaram o pedido norte-americano para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Trump e seus assessores vêm oferecendo explicações e cronogramas variáveis para o conflito. As preocupações da população crescem à medida que o conflito se desenvolve.
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