Diplomatas de mais de 40 nações participaram nesta quinta-feira (02/04), de um encontro virtual organizado pelo governo britânico. O objetivo foi discutir alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz, passagem marítima vital para o transporte global de petróleo. A rota está com tráfego praticamente paralisado desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Os Estados Unidos não participaram da reunião. Na noite de quarta-feira (01/04), o presidente Donald Trump afirmou que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”. A declaração sinalizou que o governo americano não pretende intervir na situação.
Mais de 30 países assinaram uma declaração exigindo que o Irã pare de bloquear o estreito. Entre os signatários estão Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos. As nações se comprometeram a contribuir para garantir a passagem segura pela rota marítima.
A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, acusou o Irã de “manter a economia mundial como refém”. Cooper afirmou que o país “sequestrou uma rota internacional de navegação”. A secretária declarou que a alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já afeta famílias e empresas em todo o mundo.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico aos oceanos. O bloqueio ocorre devido a ataques iranianos contra embarcações comerciais e à ameaça de novos ataques. O Irã possui capacidade de atingir navios com mísseis antinavio, drones, embarcações de ataque e minas marítimas.
A empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence registrou 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região desde o início do conflito. Onze tripulantes morreram nesses ataques. Aproximadamente 20 mil marinheiros em 2 mil navios foram afetados pelo conflito.
O fluxo de navios caiu drasticamente. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo iraniano. O Irã mantém controle rigoroso sobre quem pode atravessar o estreito, segundo a Lloyd’s List Intelligence.
Nenhum país demonstrou disposição de reabrir o estreito pela força enquanto os combates continuam. Cooper afirmou que o encontro demonstra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito por meios políticos e diplomáticos, e não militares.
Os países participantes discutiram medidas diplomáticas para reabrir a rota com segurança. Também debateram formas de proteger os marinheiros afetados pelo conflito. Cooper informou que militares de alguns países devem se reunir futuramente para planejar a segurança da rota após o fim dos combates. O planejamento incluirá operações de desminagem e medidas para dar segurança à navegação comercial.
O analista David B. Roberts, do King’s College London, afirmou que esses esforços estão ligados à postura crítica de Trump em relação à aliança militar e à cobrança para que outros países aumentem sua contribuição. Roberts destacou que os impactos imediatos da crise energética atingem mais a Europa e a Ásia do que os Estados Unidos, que hoje são exportadores de petróleo.
A mobilização internacional lembra a chamada “coalizão dos dispostos”, liderada por Reino Unido e França para apoiar a segurança da Ucrânia após um eventual cessar-fogo na guerra com a Rússia. A iniciativa também busca mostrar ao governo Trump que a Europa está assumindo mais responsabilidades em sua própria defesa, em meio a críticas do presidente americano à OTAN.
Leia mais: Trump demite procuradora-geral dos EUA, responsável por investigações do caso Epstein




