O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (02/04) que o tenente-coronel da Polícia Militar preso sob suspeita de feminicídio “deve apodrecer pelo resto da vida na cadeia”. A declaração foi dada durante agenda oficial em Campos do Jordão, no interior paulista.
O militar, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é investigado pela morte da esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no bairro do Brás, região central da capital paulista.
Tarcísio declarou que espera uma condenação rigorosa e defendeu que o oficial perca o posto e a patente. “Nosso desejo é que ele seja condenado exemplarmente, porque o que ele cometeu foi um crime bárbaro”, afirmou.
O governador também disse não ver problema na ida do militar para a reserva, já que os benefícios podem ser direcionados à família. Segundo ele, a punição administrativa não deve impedir a responsabilização criminal.
Aposentadoria não impede punição
A Polícia Militar confirmou a transferência de Neto para a reserva, após pedido baseado no tempo de serviço. Pelas regras da corporação, a aposentadoria pode ocorrer mesmo com processos em andamento.
Apesar disso, ele ainda pode ser expulso da PM e perder os rendimentos, caso haja decisão judicial definitiva. A Secretaria da Segurança Pública informou que a medida não interfere nas investigações nem nas punições penais e administrativas.
Na segunda-feira (30/03), o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a abertura de um Conselho de Justificação, procedimento que pode resultar na expulsão do oficial.
Atualmente, Neto está preso no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Caso perca a patente, poderá ser transferido para um presídio comum.
Investigação aponta feminicídio e fraude
Inicialmente tratada como suicídio, a morte de Gisele passou a ser investigada como feminicídio qualificado e fraude processual após a análise de provas.
Perícias indicam que:
- o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça, em trajetória incompatível com suicídio;
- havia lesões no rosto, pescoço e hematomas nos olhos, sugerindo agressão;
- existem indícios de manipulação da cena do crime e contradições no depoimento do oficial.
Segundo os investigadores, o tenente-coronel teria alterado a posição do corpo e colocado a arma na mão da vítima. Ele também teria desrespeitado orientações periciais ao tomar banho após o ocorrido, o que pode ter comprometido vestígios.
A defesa de Neto afirma que a prisão preventiva foi ilegal, por ter sido determinada por autoridade sem competência para julgar crimes comuns, e critica a divulgação de informações do caso, alegando exposição indevida e prejuízo à imagem do militar.
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