PF aguarda laudos do IML para concluir investigação sobre suicídio de preso no caso Master

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu após tentativa de suicídio na carceragem da Polícia Federal em 4 de março

Por Redação TMC | Atualizado em
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Daniel Vorcaro
(Foto: Polícia Militar de MG)

A Polícia Federal aguarda laudos do Instituto Médico Legal para finalizar a investigação da morte do empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, após a tentativa de suicídio na carceragem da corporação em Belo Horizonte. O caso completa um mês nesta segunda-feira (06/04). Mourão era apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro. Dois exames do Instituto Médico Legal são aguardados para encerrar o inquérito.

O empresário foi preso no dia 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A operação apura crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Agentes da PF cumpriram ordem de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão determinados pelo Supremo Tribunal Federal na residência de Mourão por volta das 6 horas da manhã.

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Às 9 horas do mesmo dia, ele foi colocado na cela 2 do terceiro andar da superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ao meio-dia, o empresário foi levado à sala de interrogatórios. Permaneceu no local por aproximadamente duas horas.

Durante o período na cela, Mourão demonstrava sinais de inquietação. Por volta das 15h20, ele tentou tirar a própria vida. Os agentes federais levaram cerca de dez minutos para identificar o incidente.

A equipe da PF iniciou imediatamente procedimentos de reanimação. Realizou massagem cardíaca e ventilação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado. Chegou ao local por volta das 16h15.

Mourão deu entrada no hospital João XXIII às 17h56 do dia 4 de março. Permaneceu internado na unidade de saúde. Dois dias após a internação, a defesa confirmou o falecimento. O óbito ocorreu após o “encerramento do protocolo de morte encefálica”.

Ao longo de um mês, a Polícia Federal realizou cinco exames. Três laudos produzidos pela perícia da corporação já foram concluídos. Um deles analisou o local do crime. Outro examinou as roupas que o preso utilizava. O terceiro periciou o celular fornecido por agentes para comunicação com familiares.

A análise das roupas de Mourão não verificou a presença de vestígios de droga. As imagens das câmeras de segurança da carceragem foram escrutinadas pela PF. É possível ver que ele estava sozinho na cela. Foi atendido pelos agentes que acompanhavam a sua custódia.

Quando chegou à cela, Mourão passou por revista completa. Deixou o cinto, relógio e cadarço. O procedimento é praxe com alvos da corporação.

Na residência do empresário, os agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro. Caso não tivesse morrido, ele responderia a processo por porte ilegal de arma de fogo.

A PF ainda não recebeu dois exames considerados cruciais para o desfecho da investigação. O laudo toxicológico verifica o sangue e a urina do preso. O laudo necroscópico aponta a causa da morte e se havia ou não marca de alguma agressão no corpo. Ambos estão sob responsabilidade de médicos do Instituto Médico Legal, vinculado à Polícia Civil de Minas Gerais.

Os médicos legistas pediram na semana passada o compartilhamento do circuito de câmeras da carceragem para finalizar o laudo de necropsia. O ministro André Mendonça deve decidir se aprova ou não a troca de informações.

Pelo menos cinco pessoas que tiveram contato pessoal ou telefônico com o preso foram ouvidas pela Polícia Federal. A corporação ainda não conseguiu identificar uma terceira pessoa para quem Mourão tentou ligar após ser preso. A análise do celular detectou que ele tentou ligar diversas vezes para a mãe, a irmã e um terceiro contato não identificado. A investigação segue para descobrir quem é esse interlocutor.

As conclusões do inquérito devem ser entregues ao Supremo Tribunal Federal neste mês. A tendência é que o inquérito confirme que Mourão atentou contra a própria vida. A morte teria ocorrido devido ao tempo em que ficou sem oxigenação cerebral.

A defesa e os familiares do empresário aguardarão a conclusão do inquérito da PF para decidir os próximos passos. Eles avaliam se solicitarão uma investigação paralela sobre a morte ou se moverão ação de indenização contra o Estado. Procurada para comentar o caso, a defesa do empresário optou por não se manifestar publicamente sobre o assunto.

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