A recente contusão do goleiro Alisson pode gerar uma situação inédita na história da seleção brasileira em Copas. Nunca antes um arqueiro considerado titular foi cortado ou mesmo ficou na reserva por conta de lesão.
O que mais se aproxima dessa inédita infelicidade foi a trapalhada cometida por um jogador flamenguista às vésperas do primeiro Mundial, disputado em 1930. Conta a história que o arqueiro Amado Benigno era considerado por muitos o melhor goleiro do país naquele ano. Convocado pelo técnico Pindaro de Carvalho, o atleta simplesmente disputou um amistoso pelo Flamengo, em Belo Horizonte, no dia da apresentação da seleção para o início da preparação pro primeiro Mundial da história. Por não ter avisado a antiga CBD, foi cortado sem qualquer apelação.
Velloso, do Fluminense, e Joel, do América, foram então os goleiros do Brasil na competição. Cada um jogou uma partida e nossa seleção foi eliminada ainda na primeira fase (ganhamos da Bolívia, mas perdemos da França, do craque Laurent, autor do primeiro gol da história das Copas – na estreia dos franceses, diante da Bolívia, derrotada por 4×1.
Meus amigos, acabei fugindo um pouco do tema principal. Mas retomando o mesmo, o titular do Brasil nas últimas duas Copas (repetindo os feitos de Gylmar, Leão, Taffarel e Julio Cesar) sofreu uma lesão e provavelmente só voltará aos gramados entre o final deste mês (previsão otimista) e início de maio (mais provável). Perderá assim ritmo de jogo e terá poucas semanas pra recuperar a melhor forma física antes da Copa.
Acredito que isso pode colocar a titularidade do atleta do Liverpool em risco, mas não a presença do mesmo na Copa. Mas é melhor esperar pra ver. Se tudo der certo e Alisson estiver na meta brasileira no dia 13 de junho, em nossa estreia contra Marrocos, ele se tornará apenas o terceiro arqueiro brasileiro titular em três Mundiais seguidos, repetindo Gylmar (58, 62 e 66) e Taffarel (90, 94 e 98).
Ederson (Fenerbahçe), também em sua terceira Copa, deve novamente ser o reserva imediato de Alisson. Mais um fato inédito para o Brasil em Mundiais. Apenas Castilho havia sido reserva em três edições, mas não seguidas (50, 58 e 62). O goleiro do Fluminense conseguiu ser titular em 54.
E a terceira vaga aparentemente será de Bento (Al-Nassr) ou Hugo Souza (Corinthians). Creio que nenhum deles tenha nível para ganhar a camisa 1 do Brasil. Mas não vejo outros nomes muito melhores à disposição para o banco de reservas. Rafael, Leo Jardim, Carlos Miguel e até o veterano Fabio são, no máximo, do mesmo nível dos reservas (até aqui) preferidos de Ancelotti. E nenhum deles pega pênalti com a maestria e estrela de Hugo.
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Pode parecer algo pequeno, mas o detalhe dos penais, citado no parágrafo acima, seria meu critério de desempate para levar Hugo. Não veria problema algum numa possível substituição de Alisson nos segundos finais da prorrogação de uma partida de “mata” na Copa para Hugo disputar a “loteria” dos penais. O aproveitamento deste último nesse tipo de jogada é muito maior. Questão de probabilidade. Simples assim.
Levando em consideração o novo formato da Copa, agora com cinco fases eliminatórias, a chance de uma disputa de penais cruzar o caminho de uma seleção finalista é bem significativa. Pensar em ter um especialista para uma hora dessas não é nenhum luxo, mas sim, necessidade.