Irã alega vitória e diz que forçou EUA a aceitar cessar-fogo

Acordo mediado pelo Paquistão suspende ataques militares e permite navegação coordenada na rota vital para transporte global de petróleo por 14 dias

Por Redação TMC | Atualizado em
Iranianos participam de uma cerimônia que marca 40 dias desde a morte de estudantes em um ataque a uma escola primária feminina em Minab
(Foto: Majid Asgaripour/WANA/Reuters)

Os Estados Unidos e o Irã confirmaram um cessar-fogo bilateral de duas semanas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (07/04) pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. O acordo prevê a reabertura da passagem marítima do Estreito de Ormuz. A mediação do Paquistão possibilitou o diálogo entre Washington e Teerã.

Araghchi comunicou que o Irã suspenderá suas ações defensivas enquanto os ataques norte-americanos forem interrompidos. O chanceler iraniano estabeleceu que a navegação pelo Estreito de Ormuz será permitida durante o período de trégua, mediante coordenação com as Forças Armadas iranianas. Washington apresentou inicialmente uma proposta com 15 pontos para negociação. Posteriormente aceitou trabalhar com base no plano iraniano de 10 pontos.

“Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas”, declarou Araghchi. A rota marítima representa um corredor vital para o transporte global de petróleo.

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Donald Trump havia estabelecido um prazo que expiraria às 21h desta terça-feira, horário de Brasília, para que Teerã aceitasse negociar e liberasse o Estreito de Ormuz. O presidente norte-americano havia ameaçado destruir infraestrutura crítica iraniana, incluindo pontes e usinas de energia.

A mudança de postura do governo norte-americano ocorreu após intervenção de autoridades paquistanesas. Trump utilizou sua conta no Truth Social para comunicar a decisão de postergar as operações militares. O presidente norte-americano atribuiu a suspensão dos ataques às conversas mantidas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão.

“Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, escreveu Trump.

O mandatário norte-americano justificou a decisão afirmando que os objetivos militares dos EUA em território iraniano já haviam sido alcançados. Trump declarou que as negociações para um acordo definitivo de paz encontram-se em estágio avançado.

“A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo voltado para a PAZ de longo prazo com o Irã, e para a PAZ no Oriente Médio”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos informou que recebeu do Irã uma proposta contendo 10 pontos para estabelecer a paz. “Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela representa uma base viável para negociação. Quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, declarou Trump.

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Os Estados Unidos realizaram ataques contra a ilha de Kharg, instalação que concentra aproximadamente 90% da produção petrolífera iraniana. As operações militares norte-americanas preservaram as áreas de extração de petróleo. A estratégia visou demonstrar capacidade militar sem comprometer completamente a infraestrutura energética iraniana.

Horas antes do prazo estabelecido por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Israel afirmou ter realizado ataques no território iraniano. Os alvos incluíram pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios em diferentes regiões do país. Uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do Irã, foi atingida durante as operações israelenses. Uma petroquímica também foi alvo dos ataques realizados por Israel contra infraestrutura iraniana.

Ataques a usinas iranianas poderiam interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas. O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, incluindo refinarias de petróleo.

Teerã também afirmou que poderia atingir usinas de dessalinização em países do Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região. O Irã reagiu aos ataques convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas. O governo iraniano afirmou que a fase de boa vizinhança com países do Golfo chegou ao fim. Ataques foram lançados contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

O ministro Araghchi reiterou que a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz será garantida durante a vigência da trégua. A coordenação com as Forças Armadas iranianas será necessária para assegurar a passagem das embarcações. O chanceler iraniano mencionou que limitações técnicas deverão ser consideradas no processo de reabertura da rota marítima.

Trump encerrou seu comunicado expressando otimismo quanto à resolução do conflito. “Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver esse problema de longa data próximo de uma solução. Obrigado pela atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, declarou.

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