Hamas nomeia Khalil Al-Hayya como novo líder geral

Hayya substitui Yahya Sinwar, que foi morto em combate contra as forças israelenses em outubro de 2024, enquanto o Hamas travava uma guerra em grande escala de dois anos contra Israel na Faixa de Gaza

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Khalil al-Hayya discursando durante um comício do Hamas na Cidade de Gaza (Foto: REUTERS/Mohammed Salem)

O Hamas nomeou Khalil Al-Hayya como seu líder geral, de acordo com um comunicado divulgado pelo grupo militante palestino nesta segunda-feira (20/07).

Hayya substitui Yahya Sinwar, que foi morto em combate contra as forças israelenses em outubro de 2024, enquanto o Hamas travava uma guerra em grande escala de dois anos contra Israel na Faixa de Gaza.

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Chefe exilado do grupo na Faixa de Gaza e principal negociador, Hayya tornou-se uma figura cada vez mais central no Hamas desde as mortes de Sinwar e Ismail Haniyeh, que foi morto no Irã em julho de 2024.

Ele é visto como mais linha-dura do que Khaled Meshaal, chefe do escritório do grupo no exílio e que também era um dos principais candidatos à liderança.

Hayya estava entre os dirigentes do Hamas alvos de um ataque israelense em 2025 em Doha, onde ele está baseado, informaram autoridades israelenses à Reuters.

Condições em Gaza

O grupo islâmico militante enfrenta alguns dos desafios mais difíceis desde sua fundação, em 1987, abalado por dois anos de guerra desencadeada por seu ataque a Israel em 7 de outubro de 2023 e confrontado com exigências internacionais para que se desarme.

Embora os combates tenham diminuído em Gaza desde o cessar-fogo mediado pelos EUA, em outubro, Israel ainda controla mais de 60% do enclave costeiro, os ataques continuam e as condições para os 2 milhões de habitantes do enclave permanecem precárias.

Israel afirma que tem como alvo o Hamas e outros militantes de Gaza que representam uma ameaça iminente. O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu não se pronunciou imediatamente sobre a escolha de Hayya.

Nesta segunda-feira, um ataque israelense matou pelo menos três palestinos que dirigiam um veículo em Khan Younis, no sul de Gaza, segundo equipes médicas. As forças armadas israelenses não se pronunciaram imediatamente.

Essas mortes se somam a um total de mais de 1.150 palestinos, em sua maioria civis, mortos por ataques israelenses desde o cessar-fogo de outubro, segundo autoridades de saúde de Gaza. Quatro soldados israelenses foram mortos por militantes em Gaza no mesmo período.

O Hamas geralmente não divulga suas baixas.

Escolha é mensagem de desafio

Desde a morte de Sinwar, o Hamas tem recorrido a um conselho superior de cinco membros que inclui Hayya e Meshaal, além de outros três dirigentes.

A eleição de um líder do Hamas é um processo demorado que começou em janeiro e foi interrompido pelas guerras no Irã e no Líbano e pelas contínuas operações militares israelenses em Gaza.

A escolha é feita por um conselho de 50 pessoas composto por membros do Hamas em Gaza, na Cisjordânia ocupada – incluindo prisões israelenses – e aqueles que estão no exílio.

A analista política palestina Reham Owda afirmou que a vitória de Hayya é uma mensagem de que o Hamas continua comprometido com a luta armada, rejeita o desarmamento sob quaisquer condições e pretende reconstruir sua força militar, ao mesmo tempo em que preserva sua aliança com o Irã e o chamado “Eixo da Resistência”.

“Isso indica que as negociações relacionadas ao desarmamento provavelmente enfrentarão dificuldades e obstáculos significativos”, disse Owda à Reuters.

O plano de cessar-fogo do presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza exige o desarmamento do Hamas e a retirada das forças militares israelenses. Ele prevê que o enclave seja administrado por um governo palestino tecnocrático supervisionado pelo Conselho de Paz de Trump.

Mas as negociações entre o Hamas, mediadores, Egito, Catar, Turquia e enviados do Conselho de Paz de Trump até agora não conseguiram chegar a um acordo amplo para pôr fim ao conflito.

O Hamas tem sido alvo de críticas dentro de Gaza devido ao alto número de vítimas causadas pela guerra, com grande parte do enclave reduzido a ruínas e mais de 73 mil pessoas mortas, segundo as autoridades de saúde de Gaza.

Militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram outras 251 em seu ataque de 7 de outubro de 2023.

Por Reuters

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