Fernando Diniz virou personagem de internet. Muita gente conhece o treinador por vídeos de cinco, dez segundos: gritando, xingando, chutando placa, chutando microfone. E para muita gente ele é só isso. Só que não é.
Quem acompanha mais de perto sabe que o Diniz tem outros lados. Claro que o lado nervoso existe. Ele cobra, ele grita, ele exige. Às vezes até demais. Mas reduzir o trabalho dele a isso é olhar só a superfície.
O Diniz de hoje também não é mais aquele treinador do início da carreira, lá dos tempos de Audax. A ideia de jogo continua, ele ainda gosta de construir desde trás, mas evoluiu. Aprendeu outras formas de jogar. O time dele não vai ficar preso só naquela troca de passes na defesa, o que tanta gente criticava. O Corinthians vai ter saída longa, vai ter jogo mais direto quando precisar, vai ter variação. Isso muita gente ainda não percebeu.
E tem um ponto que quase não aparece: o lado humano. O Diniz é muito próximo do jogador, principalmente do mais jovem. Ele conversa, acompanha, tenta entender o que está acontecendo dentro e fora de campo. É um técnico que entra na vida do atleta.
Pega um exemplo claro: o Breno Bidon. Um jogador habilidoso, que passa bem, dribla, enxerga o jogo, mas simplesmente não chuta a gol. O Diniz vai em cima disso. Vai conversar, vai tentar destravar. Não só tecnicamente, mas também no lado mental. E isso vale para outros jogadores também, principalmente os mais novos.
Ele é daquele perfil antigo de treinador que não cuida só do campo. Quer saber o que o jogador faz fora dele. Se está gastando certo, se está com a cabeça no lugar. É o tipo de cara que chega e fala: antes de comprar a Ferrari, compra uma casa para sua mãe. Pode parecer exagero, mas faz parte do jeito dele de trabalhar.
Isso não significa que vai dar certo. Não significa que vai ser campeão. O futebol simplesmente não funciona assim. Mas uma coisa é clara: o torcedor do Corinthians vai ver um Fernando Diniz diferente daquele dos memes. Um treinador mais completo, mais maduro e com mais ferramentas do que muita gente imagina.
Se vai funcionar ou não, é outra história. Mas ele não é só aquele vídeo de dez segundos que roda na internet.