Nesta quinta-feira (09/04), Fernando Diniz vai debutar como técnico do Corinthians, diante do Platense, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores. A situação pode gerar um deja vu ao treinador, que, 28 anos atrás, fazia sua última partida como jogador alvinegro.
Fernando Diniz foi jogador do Corinthians entre 1997 e 1998 em uma passagem de pouco prestígio que culminou em sua transferência para o Paraná. Todavia, o então meia fez parte de um grupo que marcou época principalmente pelos investimentos (e as polêmicas) do Banco Excel.
Abaixo, a TMC repassa como foi a passagem do ex-jogador e atual técnico do Corinthians Fernando Diniz. Confira!
Aposta no Palmeiras e no Corinthians
Revelado pelo Juventus, de São Paulo, Fernando Diniz conquistou prestígio defendendo o Guarani no primeiro semestre de 1996. Na virada semestral, foi contratado pelo embalado Palmeiras pelos investimentos da Parmalat. Com o apoio da patrocinadora, o Verdão desembolsou 120 mil dólares pelo meia de 22 anos, equivalente a aproximadamente R$ 500 mil em valores corrigidos pela inflação.
O valor, considerado alto para a época, não intimidou Fernando Diniz. “Não vim para ser mais um. Se pagaram US$ 120 mil, é porque tenho valor”, disse à Gazeta Esportiva na época.
No que ficou conhecido como “o time dos 100 gols”, a então promessa não teve espaço. Foram apenas 22 jogos e um gol de acordo com o Almanaque do Palmeiras.

Corinthians atrás da sua Parmalat
Vendo o principal rival empilhar taças, o Corinthians estava atrás de uma Parmalat para chamar de sua no fim da década de 1990. Paralelamente, foi criado o Grupo de Apoio ao Presidente (GAP), um reunião de empresários que buscava profissionalizar a gestão alvinegra, à época presidida por Alberto Dualib. Para isso, ficaria responsável pelos departamentos de base (na época, “dente de leite”) e de futebol.
Quatro economistas compunham o GAP: Eduardo Rocha Azevedo, Emir Capez, Luis Paulo Rosenberg e Ibrahim Eris. O terceiro nome viria a ficar bastante famoso nos anos 2000, quando foi diretor de marketing de Andrés Sanchez e fez parte da idealização da construção da Neo Química Arena e da criação do Fiel Torcedor.

Esses quatro apoiadores trouxeram, em janeiro de 1997, o Banco Excel Econômico ao Parque São Jorge. A empresa espanhola investiu bastante dinheiro na contratação de atletas renomados, como os atacantes Túlio Maravilha e Donizete e a aposta Fernando Diniz.
Um fato curioso é que na oficialização do anúncio, a ideia do Banco Excel era co-gerenciar o clube. O Corinthians passaria a se chamar Corinthians-Excel. “Estamos entrando numa nova era, mas tradição é tradição”, ponderou o presidente Dualib.
Sonho por Paulo Nunes, realidade com Fernando Diniz
A ideia do GAP e do Banco Excel era oficializar a parceria com a contratação midiática de Paulo Nunes, artilheiro do Brasileirão de 1996 pelo Grêmio. Porém, o atacante renovou com os gaúchos e irritou o grupo. “Eles colocaram o preço (primeiro R$ 4 milhões e depois R$ 6 milhões), nós aceitamos pagar e, agora, estão dificultando novamente”, disse o empresário Eduardo Rocha Azevedo à Folha de São Paulo.
Assim, Fernando Diniz foi contratado como mais uma opção para o meio-campo do Corinthians, comandado por Nelsinho Baptista e que contava com Marcelinho Carioca desfilando em campo – sem considerar, claro, com as iminentes chegadas citadas acima.
Animado, o Banco Excel chegou a cogitar contratar até Ronaldo Fenômeno, que brilhava vestindo a camisa do Barcelona naquela época. O banco espanhol chegou a cogitar pagar a multa de 30 milhões de euros (mais de R$ 100 milhões em valores corrigidos) para adquirir o atacante, mas a Inter de Milão acabou levando o atleta.
A passagem de Fernando Diniz pelo Corinthians
Fernando Diniz integrou o elenco do Corinthians entre 1997 e 1998, em função coadjuvante até pelo forte investimento espanhol. Foram 50 jogos no período e apenas dois gols marcados. Depois, o meia deixou o Parque São Jorge para assinar com o Paraná.
Nesse período, integrou o time que foi campeão paulista em 1997 e também o que brigou para não ser rebaixado no Brasileiro.
Embora o saldo negativo para Fernando Diniz, esse elenco seria base para o que seria campeão brasileiro em 1998 e 1999. Ainda, ergueria a taça do Mundial de Clubes de 2000.

Saída do GAP e falência do Banco Excel
A permanência do GAP não durou tanto no Parque São Jorge. Em 3 de abril, o grupo deixou o clube protestando de intromissão da diretoria de futebol do clube nos negócios.
Quem gerou o racha foi José Mansur, diretor de futebol da época, que negociou a contratação do zagueiro Antônio Carlos sem conhecimento do GAP. Frustrado, o grupo deixou o clube, mas o Banco Excel topou não só seguir no Corinthians como efetuar o negócio pelo defensor.
Em agosto, o Banco Excel prometeu gastos mais modestos com o futebol. Não durou muito tempo, pois ainda em 1997 foram contratados o atacante Edílson Capetinha, o zagueiro Gamarra e o volante Vampeta. Fora das quatro linhas, chegou o técnico Vanderlei Luxemburgo – que ainda escrevia seu nome com W no lugar do V.
Apesar do clima de festa no primeiro ano, o Banco Excel fechou 1997 com prejuízo de R$ 44,2 milhões além de diversas dívidas na Espanha. Assim, o também espanhol Banco Bilbao Vizcaya (BBVA) comprou maior parte das ações da empresa por um valor irrisório.
Sob nova tutela, os investimentos em futebol cessaram e o Corinthians perdeu seu principal patrocinador, que optou por não renovar o contrato. Todavia, os investimentos já haviam sido feitos para auxiliar o Timão a ser campeão nos anos seguintes.




