Trump acusa Irã de descumprir cessar-fogo e manter bloqueio no Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA critica gestão iraniana da passagem marítima e afirma que acordo previa reabertura da rota responsável por 20% do petróleo mundial

Por Redação TMC | Atualizado em
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(Foto: Reprodução / TheWhiteHouse via Fotos Públicas)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Irã pela gestão do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (9). Trump acusou Teerã de descumprir o cessar-fogo firmado na terça-feira (7). O mandatário norte-americano afirmou que o país persa realiza um “trabalho muito ruim” e “desonroso” na passagem marítima.

Washington sustenta que o acordo estabelece a reabertura da via. O governo iraniano mantém o estreito efetivamente bloqueado. “O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, em sua liberação da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. Isso não é o acordo que temos!”, declarou Trump em mensagens publicadas na rede social Truth Social.

O tráfego marítimo na região permanece drasticamente reduzido. Dados de rastreamento de embarcações divulgados pela Reuters mostram que apenas seis navios atravessaram o estreito nesta quinta-feira. O fluxo habitual é de aproximadamente 140 embarcações diárias.

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A rota é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. O bloqueio representa um instrumento de pressão nas negociações entre as partes envolvidas.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, declarou nesta quinta que o Estreito de Ormuz está aberto. Teerã alertou para o risco de minas navais na região. A Guarda Revolucionária está coordenando o tráfego marítimo no local.

A Guarda Revolucionária do Irã determinou que as embarcações naveguem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak. A medida visa evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito. A informação foi divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim nesta quinta-feira.

As embarcações devem entrar no estreito ao norte da Ilha de Larak e sair ao sul dela. A nova rota deve ser seguida até segunda ordem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, segundo a Tasnim.

As minas navais instaladas pelo Irã no Estreito de Ormuz são explosivos que ficam submersos ou à deriva. Esses artefatos podem ser acionados automaticamente por contato ou quando detectam a passagem da embarcação. Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais.

Existem diferentes modelos de minas navais utilizados pelo Irã. Algumas ficam presas ao fundo do mar. Outras permanecem ancoradas a certa profundidade ou podem ficar à deriva. Os modelos mais simples explodem a partir do impacto com o casco do navio. Versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.

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Segundo o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte. O navio poderia sofrer danos. O controle do funcionamento do Estreito de Ormuz tem sido usado pelo Irã na guerra contra os EUA e Israel.

Trump fez várias publicações sobre Ormuz ao longo desta quinta-feira em sua rede social. Mais cedo, ele havia declarado que “rapidamente veremos o petróleo voltar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã”. O presidente norte-americano abordou a possibilidade de cobrança de taxas para passagem pelo estreito.

“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de navios-tanque que passam pelo Estreito de Ormuz — é melhor que não esteja e, se estiver, é melhor parar agora!”, escreveu Trump. As mensagens do presidente norte-americano sugerem possibilidade de ação unilateral caso o Irã não reabra a passagem.

A empresa britânica de segurança marítima Ambrey divulgou um comunicado alertando sobre os riscos na região. “Há uma possibilidade real de risco contínuo para trânsitos não autorizados pelo Estreito de Ormuz, bem como para embarcações ligadas a Israel e aos EUA que tentam transitar”, informou a Ambrey. A avaliação indica que as restrições afetam especialmente navios vinculados a determinados países.

“Mesmo embarcações com autorização aparente foram impedidas de passar nas últimas semanas durante o trânsito”, acrescentou a empresa de segurança marítima em comunicado divulgado pela Reuters. A declaração indica que as restrições iranianas à passagem pelo estreito já vinham ocorrendo antes do fechamento oficial anunciado na quarta-feira (8).

O acordo de cessar-fogo foi firmado na terça-feira (7) com mediação do Paquistão. O pacto envolvia a reabertura de Ormuz para o tráfego marítimo por parte do Irã. Ambas as partes se comprometeram a pausar os combates por duas semanas.

Na quarta-feira (8), Teerã voltou a fechar o estreito em resposta aos bombardeios executados por Israel sobre o Líbano. Israel alegou que nem o Líbano, nem o grupo extremista Hezbollah, que atua no país, faziam parte do cessar-fogo. A justificativa israelense contradiz a declaração do Paquistão, que mediou a pausa nos combates e apresentou o acordo como abrangente.

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