Investigação aponta que ex-chefe do BC recebeu R$ 4 milhões de operador do Banco Master

Belline Santana teria recebido valores milionários por entregas mínimas da Varajo Consultoria, empresa de operador de Daniel Vorcaro, dono do banco

Por Redação TMC | Atualizado em
Fachada do Banco Master
Banco foi alvo de operação da Polícia Federal e também foi liquidado pelo Banco Central. (Foto: Divulgação)

Uma investigação do Banco Central concluiu que o então chefe de Supervisão Bancária do BC Belline Santana simulou dois contratos com a empresa Varajo Consultoria que somaram R$ 4 milhões. A Varajo Consultoria pertence a Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Santana ocupou o cargo de chefe de Supervisão Bancária entre 2019 e 2026.

Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo aponta que o primeiro contrato previa R$ 2 milhões por um estudo de 50 páginas sobre educação financeira. O material consistia basicamente em resumo de oito artigos acadêmicos e entrevistas de terceiros com o objetivo de oferecer consultoria para um projeto voltado a conectar jovens de comunidades periféricas ao mercado financeiro.

O segundo contrato seria um complemento do estudo. A proposta incluía executar um ciclo de palestras no projeto “Jovens Potentes”.

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Investigadores questionaram valor

Os procuradores do Banco Central consideraram “pouco crível” que alguém pagasse o montante milionário por um material daquela natureza. Segundo eles, o estudo poderia “ser facilmente produzido com o uso de inteligência artificial, ou mesmo solicitado a terceiros, tais como estudantes ou estagiários, a baixíssimo custo”.

A comissão afirmou que ficou “muito claro” que o investigado não possuía experiência nem conhecimentos necessários para desenvolver esse tipo de trabalho. Santana ocupou importantes cargos e funções. Os objetos contratados são de área do conhecimento mais próxima da sociologia. Essa não é a especialidade dele.

A sindicância afirmou que o resultado apresentado não teve produção autoral relevante. Não havia qualquer referência ao nome do ex-chefe de supervisão da autarquia. A investigação concluiu que “o servidor investigado sequer tinha domínio ou noção exata do próprio objeto do contrato, a constituir forte indício de que o negócio jurídico foi parte de manobra artificiosa para ‘esquentar’ o recebimento de recursos”.

Estrutura incompatível

A Varajo Consultoria tinha R$ 10 mil de capital social e a sede funcionava em espaço de coworking em São Paulo. Segundo o relatório, revelado pala Folha de São Paulo, essas “circunstâncias que seriam incompatíveis com a contratação de um projeto no valor de R$ 4 milhões”.

Palhares também comanda a Super Empreendimentos. A empresa é investigada pela Polícia Federal sob suspeita de servir como canal de pagamentos do Master a agentes públicos. Ele é diretor da Solar (Sociedade Organizada Spread of Love and Respect). A organização tem como embaixadora a filha de Daniel Vorcaro.

Os procuradores do BC que assinam o documento lembram que Santana tinha enorme poder de influência e decisão sobre instituições bancárias. Isso incluía o Banco Master. Ele tinha acesso a informações privilegiadas.

Santana disse em depoimento que tomou conhecimento de possível relação de Palhares e afirmou ter optado por encerrar a prestação de serviços. Santana também afirmou ter ponderado a Palhares que não teria disponibilidade para elaborar o projeto. Palhares teria respondido que tinha interesse unicamente em utilizar “seu nome e imagem”. Não haveria necessidade de efetiva participação em sua elaboração.

Santana foi submetido a medidas cautelares pela Polícia Federal. As medidas incluem suspensão do exercício de função pública. Há proibição de acesso às dependências do BC. Foi imposto monitoramento eletrônico.

Os advogados de Santana afirmaram que estão avaliando todo o material das investigações conduzidas pela Polícia Federal. O material foi disponibilizado pelo Supremo Tribunal Federal. Eles também avaliam os recentes desdobramentos perante a CGU.

“Isso significa dizer que não houve, de sua parte, favorecimento a qualquer instituição financeira, muito menos ao Banco Master, conforme já apontado pelo Tribunal de Contas da União, em relação à supervisão realizada pelo BC, em matérias veiculadas pela própria imprensa”, afirmaram os advogados.

A defesa do empresário afirmou que “o tema está atualmente sob a apreciação do Poder Judiciário e tanto a Varajo Consultores quanto o seu sócio têm cooperado com a Justiça para a apuração da realidade dos fatos”. A defesa de Vorcaro foi procurada nesta quinta-feira (9). A assessoria de imprensa informou que não iria se manifestar.

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