O descarte irregular de lixo agrava os alagamentos e provoca prejuízos para comerciantes. Em dias de chuva, o acúmulo de resíduos descartados irregularmente entope bueiros, bloqueia a drenagem e dificulta o escoamento da água, o que viabiliza os alagamentos.
Esse é um cenário frequente na região do Brás, no centro de São Paulo. Conhecido como o maior polo de comércio popular e confecção do país, o bairro convive com os impactos do descarte irregular de lixo, principalmente com os resíduos têxteis.
A Rua Oriente é um dos locais mais procurados por quem busca preços baixos no varejo. A Adriana Zaparoli, gerente de uma das lojas da região, afirma que já perdeu mercadorias por causa dos alagamentos que chegam a invadir o estabelecimento.
No ano passado, foi instalado o primeiro Ecoponto Têxtil, destinado justamente ao descarte de restos de tecido da produção do Brás. O local fica a cerca de 2km da Rua Oriente. Desde a inauguração, em outubro, o ecoponto já coletou mais de 3 mil resíduos.
De acordo com a prefeitura, só em 2025, as equipes de varrição recolheram mais de 82 mil toneladas de lixo das ruas, um aumento de 9% em relação ao ano anterior.
A fiscalização tem dificuldade de acompanhar o ritmo acelerado do descarte irregular. Segundo os dados mais recentes da Prefeitura, nesse ano já foram aplicadas 477 multas por descarte irregular em vias públicas.
O secretário de Subprefeituras, Fabricio Cobra Arbex, afirma que, além dos Ecopontos, a administração municipal tem intensificado as ações de conscientização e usado monitoramento para identificar e punir quem faz o descarte irregular.
“A Prefeitura vem fazendo esse trabalho preventivo, dando opções para população fazer o descarte correto, mas infelizmente o descarte continua. E as ações de punição também estão aumentando. A Prefeitura tem colocado o Smart Sampa, as câmeras para poder vigiar os pontos viciados, fazendo ali revitalizações nesses pontos para que a gente não tenha esses locais como locais de descarte irregular, para que a gente possa cada vez mais organizar a cidade.”, disse o secretário.
Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências, CGE, indicam que os últimos dois verões registraram altos índices de chuva, superando os 620 milímetros. Um volume próximo da média histórica da cidade de São Paulo. Esse cenário, somado ao descarte irregular de lixo, impacta diretamente quem mora e trabalha na região central, que enfrenta com frequência os alagamentos.




