A Justiça determinou o afastamento do prefeito de Cabedelo, na Paraíba, Edvaldo Neto (Avante), nesta terça-feira (14/04). A decisão ocorreu no âmbito de uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba que investiga desvios em contratos públicos e possível infiltração do Comando Vermelho na administração do município da região metropolitana de João Pessoa. A suspensão do mandato aconteceu dois dias após a eleição realizada no domingo (12/04).
A Polícia Federal deflagrou a operação Cítrico em conjunto com o Ministério Público da Paraíba e a Controladoria-Geral da União (CGU). A ação apura irregularidades em contratos firmados pela prefeitura e a suposta participação de integrantes da facção criminosa na gestão pública. Segundo informações da coluna do Fábio Serapião, no UOL, a operação teve 13 alvos de mandados de busca e apreensão, incluindo o prefeito afastado.
As investigações indicam contratação “fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa, com infiltração de faccionados em estruturas” da administração municipal. A organização criminosa teria usado os contratos para manter poder, influência territorial e proteção institucional. De acordo com a apuração, o esquema envolve fraudes em licitações e o financiamento da facção “Tropa do Amigão”, braço do Comando Vermelho na região.
Eleição suplementar e histórico de cassação
A votação em Cabedelo ocorreu no domingo porque o prefeito anterior teve o mandato cassado devido a vínculos com facções criminosas. O caso foi revelado em reportagem do colunista Carlos Madeiro, do UOL, em 2025. Edvaldo Neto já ocupava o cargo de prefeito de forma interina desde 2025, quando o então prefeito André Coutinho (Avante) foi cassado, também por suspeita de relação com facção criminosa. Antes de assumir interinamente a prefeitura, Edvaldo renunciou ao cargo de presidente da Câmara de Vereadores da cidade em 15 de dezembro do ano passado.
As apurações revelaram a existência de um “consórcio político-criminoso” formado por agentes públicos, empresários e membros do Comando Vermelho. Um delator vinculado à facção informou aos investigadores sobre um sistema de troca entre a organização criminosa e a gestão municipal.
O acordo incluía a distribuição de cargos e contratos em troca de apoio territorial. O objetivo era garantir estabilidade política e diminuir conflitos armados na região.
Operação e valores investigados
Os policiais cumpriram 21 mandados de busca e apreensão. O prejuízo potencial sob investigação alcança aproximadamente R$ 273 milhões, conforme apuração do UOL. Um dos endereços alvos foi um apartamento do prefeito Edvaldo Neto, localizado em Intermares. A Polícia Federal ainda não detalhou o material apreendido.
A investigação envolve agentes públicos, empresários e integrantes do Comando Vermelho que teriam participado do esquema de desvios e infiltração na prefeitura. Entre os 13 alvos da operação estão Josenilda Batista dos Santos, Vitor Hugo Peixoto Castelliano, Luciano Junior da Silva, Aldecir Monteiro da Silva, Rougger Xavier Guerra Junior, Diego Carvalho Martins, Rita Bernadeth Moura Medeiros, Claudio Fernandes de Lima Monteiro, Cynthia Denize Silva Cordeiro, Tanison da Silva Santos, Genilton Martins de Brito e Manuella Trevizan da Silva.
Além do afastamento do prefeito, outros servidores públicos foram afastados por determinação judicial, para preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas. Os nomes dos demais servidores afastados não foram divulgados até o momento.
Em nota, a defesa de Edvaldo Neto informou que recebeu com “serenidade” a decisão que determinou seu afastamento cautelar e destacou que a medida é “de natureza provisória que não implica qualquer juízo definitivo de culpa”. A defesa dos demais alvos da operação não foi localizada até o momento.




